Artigos por "Resenha Cultural"
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Olá caros leitores. O romance "Vidas secas" de Graciliano Ramos, escritor alagoano, retrata a família de retirantes sertanejos fugindo da fome e da miséria. Interessante notarmos que da sua primeira publicação em 1938 a fome e a miséria continuaram sendo pautadas no semiárido nordestino e afugentando o povo da sua terra por um longo período. 

Tem gente que vai dizer: mas a culpa não é do bioma da caatinga? Anos após a publicação do livro, em meados de 1952, a seca daquela época levou a composição da música Vozes da Seca, de autoria de Luiz Gonzaga e Zé Dantas, que apelava para a SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) que fizesse algo a respeito, fornecesse trabalho e renda. A saída de nordestinos ou nortistas, como eram chamados antes aqueles originários dessa região, para o Rio de Janeiro ou São Paulo levou não apenas a mão de obra que construiu essas cidades, mas também modificou as estruturas e a lógica pela sobrevivência em uma terra estrangeira dentro de seu próprio país. 

Se no pós-abolição os negros sem estrutura alguma ocuparam os morros, que, por sua vez, serviram de base para as favelas no Rio de Janeiro, não diferente os retirantes na busca de uma vida mais digna ocuparam as comunidades periféricas de São Paulo. Na realidade, mesmo após o chamado período modernizador nos anos 60 e 70 as cidades, as capitais vistas como lugar de oportunidades, não facilitou a vida de quem era pobre, fosse no sudeste ou mesmo no nordeste, como em Salvador, só aumentou o contraste de bairros planejados (pessoas de altos recursos) e desordenados, onde a periferia se levanta e as vidas continuam secas independentes de serem retirantes do sertão.


É seca de oportunidades para nós menos favorecidos, mas abundante e farto para muitos, um palanque que abre oportunidades de perpetuação política, discursos prontos cheios de persuasão. O capitalismo que não tem dó nem piedade toma, suga e convence a muitos de como é necessário. Somente na primeira década deste século 21 é que o Brasil saiu do mapa da fome a partir de programas sociais, mas, sempre com alguém se sentindo prejudicado em seus negócios sórdidos. 

A falta de empregos e de políticas que implicam na sustentação da vida, como, por exemplo, auxiliando os mais pobres na compra de alimentos tem crescido absurdamente. A pandemia da Covid-19 iniciada em 2019, com os primeiros casos noticiados na China, logo chegou ao Brasil com casos gritantes a partir de março de 2020. A vida mudou repentinamente e a transmissão local atingiu em cheio fosse pela doença ou pela fome, já que muitas pessoas perderam empregos ou morreram pelo contágio. Nas redes sociais e alguns canais de comunicação a campanha pelo #FIQUE EM CASA não contemplou a todos, visto que muitos tiveram de se aglomerar nos ônibus para trabalhar como no caso dos que tiveram seus empregos garantidos. 

A pressão para que o atual governo fornecesse uma renda fez com que a Câmara dos Deputados aprovasse o auxílio emergencial de 600 reais em 2020 e de editais de socorro à cultura, como a Lei Aldir Blanc. A lei mostrou que a cultura é essencial, não é coisa de vagabundo que suga do governo. Todos famintos pela arte. Um ano se passou e continuamos lidando com a fome e com perspectivas bem desanimadoras. A nova manobra política de manutenção da fome é o fim do Bolsa Família e a substituição pelo Auxílio Brasil, que terá validade até 2023. 

As notícias de roubo pela fome têm crescido e, paralelamente, a assistência social diminuído, ou seja, uma conta que não fecha. Esperamos que em breve a situação mude e o País saia novamente do mapa da fome. Como escrevi num poema, "temos fome de comida, de cultura e muitos desertos no pensar. Outro mau caratismo é sobrenome e não querem compartilhar, nem o pão, nem os espaços. Não querem se contagiar. Filé mignon consomem mas jogam o osso pra engasgar". E até o osso está sendo vendido, caro, como vimos nos noticiários.

Vidas secas agora é retrato do Brasil e não se limita mais ao sertão. A falta de perspectiva adentra as grandes cidades, periferias, refletem na economia. Até o termo "nem nem" foi criado. Nem estuda, nem trabalha, mas o pior são os desocupados, tantos desempregados no Brasil serem classificados de desocupados ao meu ver fere a dignidade dos que lutam pelo sustento.

Reflexo do desemprego tem sido o inchaço do trabalho informal, o mercado ambulante infla a concorrência e a falta de espaço aumenta. A fome é uma construção política há muito tempo. Note que na história tivemos como símbolo do messianismo o Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro no Sertão de Canudos na Bahia. Pobres esquecidos com fome e sem assistência se refugiaram nas palavras e na estrutura de vida comunitária onde se repartia o pão. Atualmente grupos de agricultura familiar e de movimentos como o MST doam os alimentos que produzem sem agrotóxicos, diferente dos grandes e médios mercados que encareceram seus produtos em meio à desgraça dos últimos 100 anos. É preciso estendermos as mãos e alimentar a quem precisa, regar as vidas para que a chuva faça florescer.

Olá leitores do blog Jovens Cronistas estou de volta ainda mais defensor da educação e da arte como necessidades básicas para nossa reflexão como sujeitos.


A Onda referida no título é um filme alemão de 2008 dirigido por Denis Gansel. O filme se baseia no livro de mesmo nome do escritor Todd Strasser lançado em 1981, fazendo referência ao que aconteceu em 1969 na Califórnia. Já o filme Alemão questiona se existe a possibilidade de um regime Fascista e Nazista acontecer de novo na Alemanha.T

udo começa com o professor de humanidades Rainer Wenger (JürgenVogel) que mesmo inconformado em dar aula de Autocracia ao invés de Anarquia propõe um projeto à turma o qual deveria apresentar como as condições criadas poderiam influenciar no ideal fascista.

Durante a semana a turma escolhe um nome: "A Onda". O que era experiência, um estudo para ver se ainda era possível o fascismo conquistar adeptos, se torna um movimento, ele praticamente toma conta de toda a turma e escola.

Os estudantes têm um jeito de vestir e um símbolo. Saem nas ruas e deixam as marcas da Onda através de pichações e intimidações. Somente o jeito de pensar da Onda é válido. Até o professor, o senhor Wenger, se influencia com o modo de pensar fascista.

O que noto de mais preocupante é a personagem Tim que se deixa envolver demais nos ideais da Onda, chega ao fanatismo.

Essa personagem tem características de adoecimento psicológico ao meu ver e abraça o movimento da Onda de tal modo que a violência é justificável para defender o que ela representa.

No Brasil atual seja pela figura presidencial ou por religiosos que doutrinam não pela lei do amor mas pelo discurso do ódio e o adoecimento da população vivemos um movimento similar a Onda.

Ainda bem que assim como no filme nem todos abraçaram o ideal fascista, nem todos seguem o ideal fascista em nosso País.

Lembrando que o filme é baseado em um livro que tem como referência um acontecimento de 1969 nos Estados Unidos.

Estamos vivendo uma experiência não de uma semana como no filme, mas de dois anos com o agravante da pandemia.

Assista ao filme, leia o livro, e, antes de tudo, conheça a história, estude os tipos de governo que a humanidade já teve, procure o professor de história e sociologia.

Experiências desastrosas como o nazismo e o fascismo não podem voltar (veja o caso da Alemanha, Itália, Espanha).

Não caia nas histórias falsas de que o Golpe de 1964 foi bom.

Bom para quem? Ricos? Empresários que, como nos dias de hoje, em meio à pandemia e mortes estão visando o lucro?

Não acredite nas Fake News, notícias falsas pelo Whatsapp.

Vamos dar valor a vida, essa Onda vai passar.

Link para o filme no YouTube: https://bityli.com/piCV9



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João Rubinato, ou como conhecemos, Adoniran Barbosa em Saudosa Maloca fala de um barraco de gente pobre em São Paulo demolido e que uma nova construção acontece.                           



Fico pensando em como o problema da moradia no Brasil é extenso e de longa duração, movimentos como MST e de ocupação buscam tirar pessoas das ruas e ocupar locais abandonados tentando fazer o que o Estado não consegue.                                             

Antes que alguém diga que defendo a invasão de propriedade quero dizer que sou a favor de que a moradia seja um direito de todos como está na lei, você que está debaixo de um teto bem ou mal tem um lugar para chamar de seu, um endereço para registrar nas diversas coisas da vida. Se você vai preencher um cadastro para uma vaga de emprego pedem endereço, no médico, na matrícula do filho (a) na escola, o que quer que precise, pedem endereço.                                                     

Quem está na rua tem os serviços essenciais negados e o preconceito o julgamento de nossa parte existe o que dificulta ainda mais a situação, o pessoal do Quilombo Campo Grande em Minas Gerais sofreu violência e foi retirado a força, em diversos locais a reintegração de posse ocorre sem uma perspectiva de uma vida digna, o brasileiro tem o sonho, note, o sonho da casa própria.

A favelização existente é muito em decorrência disso, há quem olhe a periferia e ache esteticamente feio aquele emaranhado de casas,uma sobre as outras. O bater a laje tão comum na periferia  acontece tanto para ampliar o cômodo, como a família, a falta de recursos faz um filho bater a laje em cima da casa da mãe para ter um teto e chamar de seu.

A ida para as ruas muitas vezes é decorrente de uma falta de estrutura familiar,ou até mesmo revés financeiro, somente no Estado de São Paulo existe mais prédios abandonados do que gente que precisa de moradia.

O despejo é rotineiro em todas as regiões do país, o que leva alguém que deixou um prédio abandonado por 20/30 anos requerer a posse desse prédio cheio de famílias? Ou uso de terra como no Quilombo Campo Grande?                                       



É necessário pensar de que forma atender essas famílias que ocupam esses locais, a Maloca, o Casebre, o barraco, ou o prédio ocupado e atender de forma digna. Pensar em como acolher as pessoas não é ser comunista é ser humanista.

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Foto: Acervo Arquivo Nacional


Olá como estão vocês? Espero que bem.

Neste domingo (2) foram completados trinta e um anos da morte de Luiz Gonzaga, o rei do baião.
Mais porém além do que rei do baião, Gonzaga falou do povo sertanejo,das dificuldades e também do jeito que esse povo tem.

Luiz Gonzaga denunciou o ataque as nossas florestas, o desmatamento, em seu Xote Ecológico, da morte de Chico Mendes, o nosso maior ativista pelo meio ambiente.

Hoje vivemos tempos em que Ativistas tem sua missão dificultada, isso quando não tem a própria vida ceifada pelos grileiros e desmatadores e até mesmo funcionários  de orgãos que deviam proteger o meio ambiente são exonerados e há vista grossa em relação aos ataques contra nossas matas e nossas tribos indígenas e comunidades quilombolas.

Infelizmente hoje é institucionalizado o desmatamento de forma deslavada, é um tal de "passar a boiada" em um momento de dor como esse que não dá para não chamar de mau caratismo e perversidade.


A música de Luiz Gonzaga vive e o protesto do Xote Ecológico também, que a amazônia, a mata atlântica e todos os Biomas resistam. E como disse Gonzaguinha vamos a luta.



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Olá, o último 13 de maio marcou os 132 anos da Lei Áurea, uma data em que se devia celebrar a libertação ou fim da escravidão.

Foto de Marcos Corrêa registrada na exposição “brasílis a brasília” no palácio do planalto em 23/05/2017
Talvez você pense: o Brasil possui tantos artistas negros e a cultura consumida é, boa parte, produzida por pretos e pardos, portanto o que esse cara quer discutir?

Ainda que alguns homens e mulheres estejam em um lugar visto como privilegiado isto não exclui a grande parte da população que é de pretos e pardos em um sistema que os prende e persegue.

Note que a "libertação" dos escravizados pela princesa Isabel não foi por doçura ou compaixão. A bem da verdade a Inglaterra pressionava o Brasil a fazer isso por motivos essencialmente comerciais. A chamada alforria para todos, ou um possível "liberou geral", não veio com o relevante elemento da cidadania. As pessoas ficaram sem nenhum amparo por parte do agente libertador. Sem salário, o ex-escravo, então, teve de se virar.

Sabe os morros do Rio de Janeiro, as comunidades, favelas, periferias de todo Brasil? Bom, surgem pós-abolição, período que, por sua vez, não representava ainda mudança significativa na vida do preto. Até metade do século 20, por exemplo, se reunir para fazer samba era caso de polícia.Para se ter uma ideia da dimensão da coisa,"Mestre Sala dos Mares" de Aldir Blanc cantada por João Bosco, e também por Elis Regina, teve sua letra original modificada. Onde está escrito navegante era Almirante Negro e foi censurado pela Ditadura militar. Ter um negro em posição de autoridade não era aceitável, além de a referência remeter a João Cândido, líder na revolta da chibata na marinha do Brasil no início daquele século.



Devemos ser gratos aos que lutaram a favor do fim do modelo de escravidão que existia no Brasil, aos que influenciaram e influenciam na música, na dança, no nosso jeito de comer e de falar.

Percebam que até hoje artistas e jogadores de futebol negros são chamados de macaco ou ridicularizados pelo cabelo crespo, a exemplo de um episódio envolvendo duas meninas que tiveram seus cabelos comparados a buchas de lavar-louças em Salvador, na Bahia.

Assim como após a Lei Áurea ser assinada por Isabel, hoje muitos negros e negras estão completamente desamparados. O número de trabalhadores informais cresce a cada dia e muitos são pobres e pretos, sem contar os que com sorte, são libertos de atividades análogas à escravidão. 
A exemplo, as empregadas domésticas que tem hora de chegada para começar a trabalhar sem quase ter hora pra sair. Nesses tempos de pandemia quantas pessoas liberaram suas secretárias do lar e vão continuar pagando o salário?

Bem, 13 de maio é dia de reflexão e do 14 de maio em diante é tempo de mobilização. Se nesses 132 anos são poucos os avanços, não há tempo para baixar a guarda e a luta pela liberdade plena com cidadania deve ser contínua, já que "negro é a raiz da liberdade", como dizia Dona Ivone Lara.



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                Foto: Associação Baiana de Imprensa


Olá leitores tudo bem? Ficar um tempo sem escrever é bom para refletir bem. Mas, vamos ao que interessa.


O ano se inicia e pelo menos aqui em Salvador, as festas populares, em sua maioria religiosa além da prática da fé, tem outra prática histórica, a de aparições das autoridades mais importantes (politicamente falando) da região, Prefeito e Governador, geralmente essas aparições nas festas servem como termômetro do seu mandato ou para indicar seu provável sucessor em ano eleitoral como é neste ano. 

A lavagem do Bonfim, a festa de Yemanjá e o próprio Carnaval são palcos dessas expressões.
E por falar em Carnaval, tem duas coisas que são bem importantes, para além da alegria momesca, a saída dos blocos afro que tem aparecido um pouco mais na cena carnavalesca, mas que precisam de mais visibilidade e o bloco de rua Mudança do Garcia, o Garcia é um dos bairros mais antigos de Salvador e lugar de origem do cantor e sambista Riachão, procurem a obra dele que vocês vão gostar. Voltando ao Mudança do Garcia, ele é marcado pela acolhida as diversas manifestações políticas, os dispostoa a protestar no carnaval sempre tem esse lugar. 

O palco das festas populares não deve ser somente o da curtição mas da reflexão também. E você como está no palco da vida?




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Caetano Veloso canta Alegria, Alegria, música que ficou em quarto lugar no festival - Foto: Wilson Santos/CPDoc/Divulgação

Salve leitores de Jovens Cronistas, se vocês já ouviram falar em Dejavu palavra francesa para falar de uma sensação de familiaridade ou reconhecimento de algo, no cenário atual as músicas que fizeram sucesso nos anos 70 retornam com força, como se tivessem sido escritas ontem e isso se aplica não só ao Brasil mas na América Latina.

Vou listar algumas: Canção da despedida, de Geraldo Azevedo. Apenas um rapaz latino americano, de Belchior. Nessa por exemplo Belchior diz: "Eu sou apenas um rapaz latino americano sem dinheiro no banco, sem parentes importantes e vindo do interior". Hoje seja no interior ou nas capitais ter o dinheiro no banco está difícil, o dólar por exemplo chegou a 4,50 e a cesta básica só aumenta. Belchior ao retratar uma realidade difícil da época na letra ainda mostra como os artistas como ele estavam sujeitos ao regime silenciador: "Mas se depois de cantar você ainda quiser me atirar, mate-me logo a tarde as três que a noite eu tenho compromisso (show) e não posso faltar por causa de vocês". Se vocês perceberem a força das outras letras de Belchior a exemplo de Como os nossos pais, conhecida na voz de Elis Regina, ou ainda a canção "A Palo seco", verão a coragem dele e de outros cantores da época que tenham certeza que isso não agradava aos governantes da época.

Caetano Veloso em Podres Poderes, também denuncia o sistema, sujo, corrupto e autoritário e nela utiliza a expressão: "A incompetência da América Católica que sempre precisará de ridículos tiranos". Mas hoje infelizmente vemos a mão de parte do segmento chamado de evangélico, apoiando os tiranos atuais.

Os Titãs na música Comida mostram que a população sente fome, de consumir arte e arte do seu conterrâneo, sem querer usar de nacionalismo e fanatismo, queremos consumir algo nosso e que seja visto, divulgado.

Recentemente o tema da redação do Enem foi a democratização do cinema, que se concentra em grandes cidades e em shoppings a altos preços e salas reduzidas, o que ouvi de colegas e concordo é como isso foi pautado na redação de forma contraditória, com restrições severas a ANCINE? O que você responderia ou respondeu na redação como proposta?

Recentemente um ator foi censurado no palco, a imagem do chargista Latuff foi arrancada na Câmara dos deputados por fazer menção ao extermínio dos jovens negros. E o negro ainda é visto como inferior e como se todos periféricos fossem bandidos, isso no Brasil todo. Numa das cidades mais negras do Brasil, Salvador, isso é recorrente, lembra uma música do compositor e educador Jorge Portugal, interpretada por Lazzo Matumbi: "Alegria da Cidade", embora as ações contra o povo negro da cidade existam e neguem o povo, nós fazemos parte dela. Somos os que mais apresentamos a cultura da cidade para outros lugares.

Ainda sobre repertório temos Cálice de Chico Buarque e Gilberto Gil, a forma inteligente da composição foi assertiva pois em 1978 quando lançada passou pelos censores.

E o que dizer de Deixa eu dizer de Ivan Lins e Ronaldo Monteiro, interpretada por Claudia e que em anos recentes teve seu refrão inserido num Rap de Marcelo D2, a canção lançada em 1973 tem os seguintes dizeres: "E você não tem direito de calar a minha boca afinal me dói no peito uma dor que não é pouca".

Hoje procuram calar aqueles que buscam justiça, e uma vida mais digna para os seus semelhantes,de novo digo, isso não tem haver com ser comunista, socialista,ou ser esquerdista significa ser humano,ser solidário,hospitaleiro, mostrar empatia e por aí vai.

Por fim falemos de "Cartomante", música de Ivan Lins, escute e analise a letra como está bem atual, também creio que concordará com o refrão da música quando se refere as cartas: "Cai o rei de ouro, cai o rei de prata, cai o rei de paus, cai não fica nada".



E aí será que você estará cantando em breve? Veremos as cenas dos próximos capítulos, da genealogia infame e tiraremos as conclusões. Ah! Faça aí sua playlist da resistência, Dejavu amargo...

Até breve!



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A marcha dos 100 mil contra a Ditadura (FolhaPress) 

Olá pessoal, neste texto misturo opinião e poesia e foi escrito antes do novo partido de Bolsonaro que remete a ARENA, ou seria a ressurreição do mesmo que apoiava a tortura, a censura e disseminava o medo? Você lembra do que estudou em História sobre a Roma Antiga onde havia uma arena onde gladiadores lutavam até morrer  e leões famintos devoravam as pessoas,para divertir o público? Ver sangue, sentir prazer na dor do outro se tornou comum para muitas pessoas,na ditadura militar no Brasil, torturadores chefiados pelos governos eram sádicos sentiam prazer em torturar. O Arena veio como governo e armou o espetáculo democrático permitindo o surgimento do MDB, justamente para que as pessoas não notassem que estavam em um regime autoritário.



Arena
A arena me lembra
De jogos sangrentos
Da Roma Antiga
Dos Leões fazendo das pessoas sua comida.
Arena me conta de um tempo que eu não conheci
De uma política dura dentro do meu País
Tão dura que corpos como que de barro
Se esfacelavam
E sumiam seus cacos
De um ditado até hoje muito usado:
Quem souber morre
Me lembra do pau de arara
Não minha gente
Não era o carro que levava os nordestinos fugidos da seca
Era tortura viu
E tem gente viva
Que dela sofreu
Pra que nunca se esqueça.
Falar que um novo arena vem aí
Me dá um nó na cabeça.
Me faz pensar em retrocesso
Em Malvadeza
Foi no Arena e seu proposto opositor que o ar de democracia se deu.
Mas não se enganem,pois foi um teatro do mal,para fazer o mau.
E quer retornar
Na primeira montagem os atores principais eram coadjuvantes
Mas hoje querem o estrelato
A glória
É preciso deixar a plateia vazia.
Quem sabe se o fracasso da peça
Não nos dará um espetáculo digno?
O que estar por vir é terrível.
Qualquer filme de terror perde, qualquer vilão de novela se aproxima do mocinho ou da mocinha.
Porque lá é ficção
E aqui realidade.

Se você já viu na televisão ou pessoalmente uma cratera se abrir repentinamente por causa da água que encharcou  a terra, saibam que todos nós no Brasil atual podemos ser engolidos pela cratera formada pela enxurrada de retrocessos, vejamos o que acontecerá.



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Foto: Reprodução web


Olá leitores, a palavra saudade é única de nosso vocabulárioe a infância é para a maioria época de saudade, por mais dura que tenha sido, é o tempo da imaginação, da brincadeira e onde está boa parte das  nossas memórias.


A depender de onde você nasceu as brincadeiras são diferentes dos outros lugares e algumas atividades também. É na infância nas brincadeiras que vamos construindo o convívio em sociedade, começamos a aprender que temos que fazer concessões, ceder em alguns casos e saber perder, coisa que nesta época atual muitos adultos esqueceram.

Já notou ou reparou como quando criança nós não somos preconceituosos? A gente tem se perdido muito, acho que teremos de aprender ou como se diz aqui no nordeste, "tomar aula" com as crianças.

Aliás Jesus Cristo quer você acredite ou não, incentivou os adultos a serem como as crianças. Várias são as lições que aprendemos quando pequenos, muitas vezes mais pelo exemplo do que simplesmente pela fala de nossos pais, avós e de outros.

Do que mais você lembra da sua infância? Do cheiro da comida da avó, da mãe, das brincadeiras? Dos bons exemplos?

É uma pena as crianças ficarem hoje entretidas só no celular, na minha infância era a televisão, mas aos pais digo, não deixem como babá o seu celular ou o vídeo game, momentos de estresse existem, mas temos de administrar isso, mais atenção e mais amor por favor.

Que adultos queremos? Mimados? Com vontades extremas, se achando superiores aos outros, possessivos,  com a postura de: "Se não for meu não será de ninguém"?.


Vamos rever isso pra ontem, a infância acaba mas sempre existirá crianças, lembram da revisão para prova que sua professora ou professor faziam? Então vamos revisar a vida, ela tem provas reais e ouvir as crianças é fundamental.

Se os adultos são espelhos das crianças, eu digo que hoje temos que nos refletir nelas. Boa criança pra vocês.



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Olá pessoal, o dia 08 de Outubro foi dedicado aos nordestinos, podemos dizer que o nordeste é um mundo, cada Estado tem a sua característica, o seu jeito com uma cultura rica e particular, temos o frevo no carnaval do Recife, o maracatu do Maranhão, o carnaval de Salvador que hoje tem acolhido todos os gêneros musicais, para além do Axé e do Pagode, temos o São João de João Pessoa em disputa com o de Caruaru em Pernambuco, aliás eu pergunto pra você que gosta da festa qual o melhor? Olha a briga é feia viu?

Mas é saudável, o mês de junho é um dos mais fartos no Nordeste. A cara do nordeste e dos nordestinos especialmente para o restante do país foi mal construída, dando margem ao preconceito à Xenofobia, minha gente durante muito tempo a seca tomou conta de várias partes do Nordeste e muitos iam tentar a vida em São Paulo ou no Rio de Janeiro, bem como em outras partes do Brasil, o nordestino mesmo fugindo da seca se reergueu e foi mão de obra expressiva na construção do País, isso porque ele consegue fazer da dificuldade um trampolim para a conquista, de cabeça baixa ele não fica.

Há muitos exemplos disso, como na literatura por exemplo,a história de um casal de retirantes (nome que se dava a quem estava fugindo da seca), de filhos sem nome, sem direitos, e da cachorrinha com nome e xodó da família sobrevive há 81 anos, que é o livro Vidas Secas de Graciliano Ramos. O qual foi  um preso político e escreveu alguns contos na prisão que antecederam o livro.

Outro nordestino que fez história e muita música boa foi Luiz Gonzaga, que se muitos ouvissem aprenderiam muito como o Xote ecológico que denunciava a poluição e a destruição do meio-ambiente. Além dele há uma infinidade de artistas que podem mostrar como se faz o nordeste,desde os mais famosos aos mais anônimos. De "Paraíbas" e Baianos, de Pernambucanos, Alagoanos, Sergipanos, Maranhenses, Potiguares, Cearenses, Piauienses o Nordeste se mostra, se apresenta sem dever nada a ninguém.


As ilustrações no mapa acima representam pequenos aspectos da multiplicidade cultural desses estados. 


Nós, apesar da mesma região não gostamos de ser confundidos, cada local tem seu sotaque como na Bahia, não falamos visse aqui, tampouco bichin, o visse é uma expressão mais utilizada em Pernambuco e até dentro do Estado da Bahia existe uma variação entre a maneira de falar do Soteropolitano (como eu), dos outros baianos porque a Bahia não se resume a Salvador, mas temos coisas em comum como a farinha, o forró, a rapadura, a influência negra na maioria dos Estados entre outras coisas.

O baiano embora festivo é trabalhador, não se debruça sobre a rede e espera cair do céu, pois dele a certeza é a chuva a qual é bem vinda e bem esperada pelo trabalhador rural. O dia do nordestino é dia de oportunidades, do compartilhamento do espaço, de poder ter e ser o que quiser.



Imagens: Reprodução web. 



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Foto: Divulgação (Capa disco "Selvagem")


Olá leitores do blog Jovens Cronistas sou Edenbergue Lima Neres e recebi a responsabilidade de escrever sobre cultura,eu não sou nenhum perito em cultura mas busco imprimir minha opinião,esta de alguém que fala a partir da classe trabalhadora que por falta de condições favoráveis não tem o acesso que deveria ter. 

Afinal cultura é o quê? Essa é uma pergunta ampla e às vezes controversa, para a elite no período colonial cultura estava reduzido a assistir as óperas, para os negros o batuque fazia parte da sua cultura embora fosse desprezado por outros. 

Mas a cultura não se limita a música, mas as artes como um todo e às artes movem os sujeitos a pensar e questionar, assim como as ciências humanas, que estão sendo atacadas pois vai na contramão do projeto político pensado para a população. A cultura do Brasil é diversa, é regional desde os cantores da MPB ao Mang Beat da Nação Zumbi no Maranhão,desde o Axé e o Samba de roda do Recôncavo na Bahia, ao coco de Jackson do Pandeiro e o Baião de Luiz Gonzaga, da dança afro, da catira e tantas outras manifestações como o teatro, a pintura,os saraus e suas poesias.

Desde já agradeço a equipe dos Jovens Cronistas,pela confiança e a vocês que vão acompanhar essas minhas escritas, resistir é preciso e vamos a luta e aos trabalhos que é o que nós trabalhadores mais sabemos fazer.



Este título é extraído do refrão da música Alagados, dos Paralamas do Sucesso, lançada na década de 80, que retrata as desigualdades sociais existentes no Rio de Janeiro, que tem sobre si o Cristo Redentor de braços abertos, mas que no asfalto fecha as portas de oportunidades, emprego, lazer e direito a vida.
Mas com um povo forte que continua a depositar sua confiança em "Deus", ou em Cristo, de que tudo vai melhorar, "A arte é de viver da fé, só não se sabe fé em que", diz o refrão da musica, o que remete também ao fato de que as religiões de matriz africana tem sofrido ataques de traficantes quanto a sua prática religiosa. O Cristo (a crença evangélica) por vezes é utilizado como base para a expulsão e ruína dos centros dedicados ao segmento religioso de matriz africana. Se o Cristo representado na escultura em pedra sabão pudesse falar, com certeza estaria indignado com o que acontece debaixo dos seus olhos, injustiça, morte de inocentes por ações inconsequentes, mortes pela corrupção praticada em longos períodos, pela desassistência á saúde, educação e tantas outras coisas.
Não somente o Cristo na música Alagados não, o real, o que muitos tem como pilar de sua fé, também está sendo utilizado em construções políticas genocidas, o Cristo apresentado na Bíblia, falou que deveria se amar inimigos, na conjuntura atual adversários, os de oposição se tornam inimigos merecedores de morte, a constituição do novo líder da Nação foi totalmente vinculada ao uso das armas e do discurso do ódio com apoio de lideranças religiosas protestantes, conduzindo muito mal suas ovelhas ao lobo voraz, sem que muitas notassem isso.
A vida, as palavras, o discurso do homem amoroso, compassivo, foi deixado de lado e somente o título de seguidores permaneceu, é como se fosse uma agremiação ou uma associação com objetivos similares, onde o regimento foi engavetado e que só é consultado de modo estratégico numa  análise favorável aos interesses mais sórdidos possíveis.
Promove-se com isso a subversão da fé, que é muitas vezes (ou ao menos deveria ser) a força motriz do povo pobre, da periferia, onde certamente sem ela ficaria mais difícil viver e enfrentar as imposições ardilosas que o povo pobre e negro enfrentam.
É preciso acordar, a fé não é propriedade de todos, não aquela genuína, tanto assim é que o título de Cristão está sendo usado como manobra para o retrocesso, para o mal, para privilégios familiares, para manutenção e ampliação da ignorância, num plano de sociedade onde o cidadão quanto menos esclarecido, mais fácil fica de ser manipulado ou tapeado.
A arte é de viver da fé, que ela não sirva mais a interesses duvidosos, ou se preste a um fanatismo religioso ou político de caos e ruína. A fé não costuma falhar.


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