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Sem credenciais e defendendo um programa antipovo, capitão da reserva está longe de ser porta-voz da frustração; é vazio, apenas

Do alto de seus 63 anos, o capitão do exército aposentado Jair Messias Bolsonaro – Jair Bolsonaro na urna – disputa a Presidência da República como candidato da coligação “Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos”, do Partido Social Liberal – PSL e Partido Renovador Trabalhista Brasileiro – PRTB. Ao seu lado, na chapa, está o também aposentado pelo exército brasileiro general Antônio Hamilton Mourão, que concorre na condição de vice-presidente.
Foto: Fábio Motta
Jair Bolsonaro, que declarou ao TSE ter 2,3 milhões de reais em bens, nasceu na cidade paulista de Campinas e viveu parte de sua infância e adolescência em Eldorado Paulista, município daquela região. A aproximação com o exército brasileiro veio em 1970, quando o hoje presidenciável tinha 15 anos de idade e acompanhou a chegada de tropas à cidade em busca de prender e matar o então militante de esquerda Carlos Lamarca. O episódio, ainda sob a Ditadura Civil-Militar, despertou em Bolsonaro a vontade de incorporar as forças armadas. Em 1977, formou-se oficial na Academia Militar das Agulhas Negras – AMAN, no estado do Rio de Janeiro, servindo ao exército, pela primeira vez, de 1979 a 1981, na base em Nioaque, interior do Mato Grosso do Sul. Bolsonaro é ainda educador físico, formado pela Escola de Educação Física do Exército em 1983, e mestre em saltos pela Brigada Paraquedista do Rio de Janeiro.

Em sua passagem como militar, de 1977 a 1988, o hoje postulante a assumir o Palácio do Planalto acumulou alguns casos de insubordinação, inclusive tendo de responder questionamentos junto à justiça militar. Em um dos dois processos disciplinares, o então capitão no 8º Grupo de Artilharia de Campanha Bolsonaro teve de explicar a publicação de um artigo, de sua autoria, em que reivindicava aumento salarial. No texto intitulado de “O salário está baixo”, publicado em uma edição de 1986 da revista Veja, Bolsonaro diz que cadetes da AMAN estavam se desligando por conta dos baixos salários e não por má conduta, como era divulgado. Pelo episódio, ele foi condenado, pela maioria dos ministros do Superior Tribunal Eleitoral Militar, em 1988, à detenção por 15 dias.
Foto: José Lucena
Em outro processo, o hoje candidato do PSL à Presidência da República teve de se defender da acusação de que planejava um atentado a bombas em unidades militares do Rio de Janeiro. No mesmo julgamento de 1988, ele foi considerado inocente. Naquele mesmo Bolsonaro aposentou-se – oficialmente foi para a reserva – com a patente de capitão, título que facilitou sua entrada no meio político ainda em 1988, quando venceu a disputa por uma das cadeiras da Câmara Municipal do Rio, como candidato a vereador pelo então Partido Democrata Cristão – PDC.  Dois anos depois, em 1990, elege-se deputado federal, cargo no qual ficou por seis legislaturas até a disputa pela Presidência neste ano.
Foto: Tânia Rêgo
Apesar de o baixo número de atividades concretas no Congresso Nacional – 162 projetos de lei, sendo dois aprovados –, a linha retrógrada, misógina, racista e saudosista da Ditadura sempre esteve em seu discurso. Em 1999, para um programa da TV Bandeirantes, o então deputado federal disse que seria preciso “matar 30 mil” pessoas para solucionar os problemas do País. Na mesma entrevista ele fala em “guerra civil” e desacredita o instrumento do voto. O deputado, que pouco – para não dizer nada – fez para se credenciar como postulante a presidente do Brasil, é autor de frases como: 

Ela [colega deputada] não merece [ser estuprada] porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria

Entre um homem e uma mulher jovem, o que o empresário pensa? ‘Poxa, essa mulher tá com aliança no dedo, daqui a pouco engravida, seis meses de licença-maternidade’

Aos poucos, a população vai entendendo que é melhor menos direitos e emprego do que todos os direitos e desemprego

Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”

Olha, o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais
Essas e outras posições estão no vídeo, produzido pela edição brasileira do jornal espanhol El País, publicado abaixo.
                                                                                            Vídeo: Canal do jornal El País no Youtube
O presidenciável, que se coloca como um ponto de inflexão na democracia em descrença por conta dos escândalos de corrupção apontados pelas operações de investigação, levou os quatro filhos para a política, elegendo-os deputado federal, senador e vereador; chegou a empregar a esposa em seu próprio gabinete na Câmara dos Deputados; recebeu auxílio-moradia mesmo sendo proprietário de um apartamento na capital federal e, quando questionado, respondeu que “ como eu [Bolsonaro] estava solteiro naquela época, esse dinheiro do auxílio-moradia usava  para comer gente”; multiplicou o patrimônio da família com a compra de imóveis no valor de mercado avaliado em 15 milhões de reais; e mantinha assessora fantasma, que prestava serviços como caseira para o deputado, recebendo salário pago com dinheiro público.

Bolsonaro já esteve em sete partidos antes de “fundar” o PSL este ano. Entre eles está o Partido Progressista – PP, legenda com o maior número de políticos investigados por corrupção e na qual ficou por 11 anos – de 2005 a 2016.
Foto: Tânia Rêgo
Em 81 páginas, a campanha de Bolsonaro provoca o eleitor com o seu chamado “Projeto Fênix”. Provoca porque apresenta propostas vazias e, nas poucas claras, aponta medidas que vão contra a maior parte da sociedade brasileira. Entre elas estão o estabelecimento de uma alíquota fixa e não mais progressiva – quem tem mais, paga mais; quem tem menos, paga menos –, na casa de 20%, para a arrecadação do Imposto de Renda; a privatização de estatais como a Eletrobrás e Petrobrás, encarecendo o custo final da energia elétrica e dos derivados de petróleo como o combustível e gás de cozinha; o não reconhecimento de mais recursos para a área da saúde, já que, segundo o “Projeto Fênix”, “é possível fazer muito mais com os atuais recursos”; a idealização de colégios militares em todas as capitais do País, priorizando disciplinas que remontam à Ditadura Civil-Militar como a “Educação Moral e Cívica”; a fragilização de programas de compensação histórica como as cotas raciais em universidades públicas, com a diminuição no número de vagas; e a implementação de ensino à distância para alunos do ensino público fundamental.

Jair Bolsonaro defende a agenda do presidente-nosferatu Michel Temer. Consta das medidas apresentadas na plataforma a manutenção da contrarreforma trabalhista, com a criação ainda da carteira de trabalho verde e amarela – “onde o contrato individual prevalece sobre a CLT, mantendo todos os direitos constitucionais” –, e propõe uma contrarreforma da Previdência Social ainda mais nociva que a do atual (des)governo. Sem detalhar como se daria a transição – impossível para analistas previdenciários –, a candidatura do capitão da reserva defende a alteração do atual sistema de repartição para o de capitalização semelhante ao das instituições financeiras.


Como citado acima, Bolsonaro tem um total vazio de propostas, o seu instrumento é o autoritarismo, o preconceito. Ele aproveitou-se bem disto, vivemos numa sociedade que saiu de um regime ditatorial há pouquíssimo tempo, trinta anos não são nada, só uma geração veio após isso e foi criada sob um ambiente de medo e de inúmeros preconceitos enraizados. Preconceitos estes que o candidato e os fundamentalistas religiosos inseriram na pauta, como se combater o pobre, o negro, o homossexual, como se tornar o Estado Brasileiro monoteísta, fossem instrumentos de combate á corrupção, não são.

Porém, é pouco inteligente qualificar todo eleitor bolsonariano como "fascista", fascista é ele, que usa técnicas de doutrinação apenas vistas em um passado terrível, na Alemanha. Ele martela a mente das pessoas com ideias que nunca sequer passaram perto da realidade, como "idolatria a Venezuela", "terroristas de Esquerda que pós-facada seguem o ameaçando, financiados diretamente pelo PT", que as esquerdas são favoráveis por exemplo a incesto, a sexo com menores", verdadeiras loucuras, ou melhor, CANALHICES, que ante a ingenuidade e desinformação viram "verdade" para muitos. Afinal, se as intenções deles fossem boas, por que afinal mentir tanto? Bolsonaro e seus asseclas dizem tantos absurdos que sempre acabam desmentindo ou dizendo que é "brincadeirinha" o que está registrado que disseram e sempre nas entrelinhas vão legitimando a violência contra seus adversários políticos, dizendo que vão "varrê-los do mapa", que vão "os prender para apodrecerem na cadeia", que vão "acabar com o ativismo no Brasil", por fim, disse ontem o candidato que iria "acabar com a ideologia". Ora, é muito engraçado, pois tudo é oriundo de determinadas ideologias, a ideologia dele de extermínio das minorias (alô Führer) é também uma "ideologia", ainda que patética, então, ele desvaloriza o que ele mesmo prega, que é uma ideologia ultraconservadora.

Uma última observação sobre o trecho reportagem que não poderia passar batida, "Educação Cívica", ora, se fosse um estudo de SOCIOLOGIA, se fosse algo para entendermos o que é o Brasil, a sua história, os seus problemas e o debate de soluções, seria perfeito. Mas a "Moral e o Civismo" a qual eles querem implementar é uma completa lavagem cerebral, apagando os malfeitos da Ditadura e ampliando sua "cultura" de preconceito. Imaginem o atraso que representará estes seres comandando a educação no país. Aproveite este texto, conheça Bolsonaro e não vote nele, não por PT, mas pela nossa segurança física, política e porque não, mental. 


Por: Claudio Porto e Adriano Garcia.


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Com a força eleitoral de Lula, ex-prefeito de SP apresenta-se como porta-estandarte das mais modernas práticas politicas; é o séc. XXI petista

Professor do curso de Teoria Política da Universidade de São Paulo – USP, Fernando Haddad é paulistano e formado em direito desde 1985, além de ter mestrado em economia política e doutorado em filosofia. Hoje candidato do Partido dos Trabalhadores – PT na corrida presidencial, Haddad foi ministro da educação de 2005 a 2011 e compõe chapa com a deputada estadual do Rio Grande do Sul Manuela D’Ávila (PC doB), na coligação “O povo feliz de novo”  de PT, PC do B e PROS. O candidato declarou ter aproximadamente 430 mil reais em bens.   
Foto: Adriano Machado
Do alto de seus 55 anos, o candidato petista iniciou sua trajetória política em meio à graduação, quando no segundo ano na Faculdade de Direito da USP ingressou no Centro Acadêmico 11 de agosto, movimento estudantil formado por alunos. Em 1983, Haddad filiou-se ao PT e, já na condição de partidário, lutou pela redemocratização do Brasil.

O hoje presidenciável esteve à frente de cargos administrativos antes de ser prefeito de São Paulo no mandato 2013-2016. O primeiro foi na própria Prefeitura de São Paulo, em 2001, como chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Finanças e Desenvolvimento Econômico na administração de Marta Suplicy – 2001 a 2004 –, que havia sucedido a gestão de Celso Pitta e o descalabro das contas do município. À época Haddad encarregou-se de estudar a viabilidade de estratégias para o pagamento da dívida municipal junto à União.
Foto: Nilton Fukuda
Em 2003, Haddad deixou a prefeitura para integrar a equipe do então ministro do planejamento, Guido Mantega, como assessor especial e um dos responsáveis pela Lei que regulamenta as Parcerias Público-Privada – PPPs. Ainda no primeiro escalão do governo do ex-presidente Lula, o petista foi transferido, em 2004, para o Ministério da Educação, pasta em que atuou como secretário executivo por um ano e ministro de 2005 a 2012 – nos dois mandatos de Lula e no primeiro ano da ex-presidente Dilma Rousseff. Fernando Haddad foi o responsável pela expansão do ensino superior, com a reformulação do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, idealização do Programa Universidade para Todos – Prouni e do Financiamento ao Estudante do Ensino Superior – FIES, e o aumento das atribuições do ministério, ao impor à pasta atuação desde creches, com a criação do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica – FUNDEB, às universidades.

Com 35 anos de filiação partidária, Fernando Haddad só veio a disputar uma eleição em 2012, ano em que conquistou, em 2º turno, a Prefeitura de São Paulo. Mesmo sob desconfiança e desconhecimento por parte da população, o então prefeito ficou marcado pela inovação na administração, com a criação da Controladoria Geral do Município – órgão para investigação de supostas irregularidades na administração municipal – e por políticas públicas como o Passe Livre Estudantil, redução das velocidades máximas, criação de ciclovias, instituição do programa Braços Abertos para dependentes químicos e o fechamento de vias públicas aos finais de semana e feriados para uso recreativo.  A administração petista também passou por alguns apuros financeiros. A crise econômica que atingiu o País, a redução no repasse de verbas federais, principalmente do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, e a queda de arrecadação do município levaram o então prefeito a alterar suas prioridades e não cumprir algumas promessas de campanha – sobretudo na área de infraestrutura. Haddad enfrentou as chamadas “jornadas de junho”, em 2013, e disputou as eleições 2016 em busca da reeleição – quando perdeu em 1º turno para o tucano João Dória, sendo o primeiro candidato do PT a não passar para o 2º turno desde a redemocratização.
Foto: Rodolfo Buhrer
A partir de São Paulo, Fernando Haddad tentou, naquele ano, resistir às investidas das investigações contra a sua legenda. Sem êxito, o presidenciável deixou a Prefeitura e voltou a dar aulas até ser convocado, neste ano, para ocupar a cabeça da chapa presidencial do PT quando da exclusão de Lula do pleito.

Com a missão de levar o partido que governou o País por quase 13 anos de volta à Presidência – de onde saiu por meio do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff –, Haddad aponta, em seu programa de governo, para o que há de mais moderno em práticas políticas no mundo.
Foto: Ricardo Stuckert
Em 61 páginas, Haddad lança mão de propostas para todas as áreas do Estado e, em boa parte delas, apresenta os meios a serem usados em caso de vitória petista. O documento protocolado junto ao Tribunal Superior Eleitoral – TSE compreende tópicos que vão desde medidas para a “refundação democrática do Brasil” e retomada da soberania nacional e popular a transição ecológica e um novo modelo energético para o País.

A plataforma reforça o entendimento de que o impeachment de 2016 foi um golpe de Estado, “de natureza parlamentar, judicial, empresarial e midiática”, e propõe maior integração latino-americana e cooperação sul-sul, com países do continente africano; o fortalecimento dos BRICS, grupo econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul; a retomada do Plano Nacional de Defesa – PND e resgatar o papel constitucional das Forças Armadas; e a revogação da Emenda 95 – do “Teto de Gastos” –, da contrarreforma trabalhista e das mudanças no marco regulatório do pré-sal.
Foto: Simon Plestenjak
O programa do PT elenca propostas para uma reforma do sistema de justiça, com a implantação de políticas de incentivo para “alargar o acesso dos pobres à justiça”, “redução do período de férias de 60 para 30 dias” de magistrados e a instituição de tempo de mandatos para os membros do STF e das Cortes Superiores de Justiça, de maneira que não coincida com o período eleitoral.

Para o problema de gestão na Previdência Social, Haddad defende que o equilíbrio das contas virá a partir da retomada da criação de empregos formais. Quanto à comunicação social, o candidato promete “impedir que os beneficiários das concessões públicas e controladores das novas mídias restrinjam o pluralismo e a diversidade” e estuda um novo marco regulatório da comunicação. O candidato apresenta ainda o programa “Brasil 100% Online” com subsídios para garantir a universalização da banda larga. As iniciativas constam da regulamentação da mídia brasileira, que seria apresentada nos seis primeiros meses de um eventual governo petista.

Ainda constam da plataforma expansão dos direitos das mulheres, com ampliação do valor e do tempo do seguro-desemprego; o “Programa Meu Emprego de Novo”, acompanhado de investimentos para capacitação de jovens; a implementação da “Rede de Enfrentamento à Violência contra LGBTI+” e do “Programa Transcidadania”, com o fortalecimento do já existente “Sistema Nacional LGBTI+”; um novo pacto federativo para promoção dos direitos sociais; a ampliação do Cadastro Único para programas sociais; e a elaboração de um Plano Nacional de Redução de Homicídios.

Ao todo, o documento protocolado pela coligação no TSE aborda 76 pontos das mais diversas áreas.


No primeiro turno, havia um sentimento de parte representativa da sociedade, ao qual este comentarista Adriano Garcia (e somente ele neste projeto) comungava que era a importância do surgimento de, ainda na Esquerda, uma via alternativa ao PT que revogasse as contrarreformas de Temer e retomasse uma agenda de desenvolvimento tendo como protagonista justamente a base da pirâmide social, como visto nos dois governos de Lula, porém com nova roupagem e repudiando acordos com setores conservadores da política, que foi o que acabou levando ao golpe.  


Porém, é Haddad o adversário que enfrenta a ameaça representada por Bolsonaro no segundo turno, e, sendo assim, deve ter todo apoio e convergência dos campos progressistas da sociedade e da política. E essa aproximação do candidato petista foi notada, inclusive absorvendo parte dos programas de Boulos e Ciro, o que deu mais consistência quanto à certeza da revogação das contrarreformas do (des)governo Temer, da defesa das estatais e dos recursos naturais e, fundamentalmente, de manutenção da democracia, tão atacada por seu adversário em sórdidas entrelinhas. Entrelinhas, aliás, instrumento comumente utilizado por anti-democratas, que são violentos às escuras, mas em público não passam de covardes.

Apesar de todas as dificuldades que podem ser claramente vislumbradas, o programa de Haddad visa, sim, a retomada de crescimento a partir de quem mais precisa, da "borda para o centro", ou seja, voltando a colocar o pobre no orçamento e entendendo que crescer só adianta se os mais pobres comandarem tal crescimento. Pouco adianta ter um desenvolvimento que amplie as desigualdades sociais, como é o cenário que se enxerga do outro lado. Portanto, apesar de uma situação emergencial e até prematura em ter para agora Haddad na Presidência, o candidato ao longo da campanha, sobretudo deste segundo turno, se mostrou um grande estadista e o caminho necessário para evitar o caos.


Por: Claudio Porto e Adriano Garcia.


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Para um "não político", o "prefeito fujão" tem muitos problemas políticos

Com o lema “Acelera SP”, o paulistano João Agripino da Costa Dória Júnior – João Dória na urna –, de 60 anos de idade, é candidato do Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB ao governo do estado. Empresário formado em Comunicação Social pela Fundação Armando Álvares Penteado – FAAP, o ex-prefeito de São Paulo, eleito para o mandato 2017-2020 e apelidado pela coluna MaisSP deste blog de “prefeito fujão” – por ter abandonado o cargo para disputar à vaga de governador –, integra chapa com o deputado federal Rodrigo Garcia, do Democratas, que concorre na condição de vice. Garcia é advogado e nasceu em Tanabi, no interior.
Foto: Renato S. Cerqueira
Dono de um patrimônio de cerca de 190 milhões de reais, João Dória fez carreira no ramo empresarial e da comunicação e marketing, sobretudo no lobby ou tráfico de influência por meio do Grupo de Líderes Empresariais – LIDE, do qual é presidente licenciado. O LIDE é conhecido por promover eventos voltados a empresários, ligados ao grupo, e a classe política em geral.

O agora postulante à sucessão de Geraldo Alckmin (PSDB), responsável por inseri-lo na política – padrinho de outrora –, já esteve à frente de programas televisivos como o “Show Business”, na RedeTV e Band,  e “O Aprendiz”, na RecordTV, e iniciou trajetória política ainda na década de 1980, quando assumiu a secretaria municipal de turismo em São Paulo entre 1982 e 1984, durante a administração Mário Covas, e presidiu a Empresa Brasileira de Turismo – EMBRATUR, de 1985 a 1987, no governo do presidente José Sarney.  À frente dos trabalhos da EMBRATUR, Dória chegou a propor que tornassem “atrações turísticas” a busca por ouro em Serra Pelada, no sudoeste paraense, e a seca nordestina, esta última sob a justificativa de que todos têm o direito de conhecer “a riqueza e a pobreza do Brasil”. Para uma plateia de empresários cearenses, à época, ele ainda afirmou que o então governo federal deveria aumentar os investimentos em turismo e reduzir os valores para irrigação da região. “A Caatinga nordestina poderia ser um ponto de visitação turística e gerar uma fonte de renda para a população sofrida da área”, reforçou o hoje candidato ao governo de SP.
Foto: Sérgio Lima
Apesar de ser filiado ao PSDB desde 2001, Dória só veio a disputar um cargo eletivo em 2016, quando venceu, em 1º turno, as eleições municipais em São Paulo. Com o discurso de que “não era político e sim gestor”, o ele então assumiu a administração municipal e ficou apenas 66 semanas – acompanhadas de perto pelo quadro “Semana do Gestor”, da coluna Mais SP – até abandonar o cargo e os pouco mais de três milhões de votos – 3.085.187 – que recebeu, para estar no atual pleito. Há quem diga que João Dória fez da Prefeitura um trampolim político para alçar voos mais altos.

Dória guarda polêmicas em sua passagem pela administração paulistana. A começar pelas 43 viagens em 11 meses de gestão, o então prefeito ainda cortou o transporte escolar e a distribuição de leite de estudantes da rede municipal de ensino; permitiu a matrícula de crianças em creches ainda em construção; apresentou a farinata, composto de restos de alimentos que, num primeiro momento, substituiria as cestas básicas distribuídas pela assistência social do município; escondeu moradores em situação de rua com tapumes embaixo de viaduto na região central da cidade; envolveu a Prefeitura num rolo de repasses de medicamentos próximos do vencimento em troca de publicidade para uma empresa farmacêutica; ridicularizou e retaliou o trabalho de jornalista que viu funcionários de limpeza da Prefeitura jogando água fria em moradores em situação de rua, na região da Praça da Sé; inflou números quando da criação de vagas em creches; montou um secretariado com figuras que dificultam o acesso à informação por profissionais de comunicação, como no caso envolvendo o assessor Lucas Tavares, e que cometem fraudes, como André Sturm – secretário municipal de cultura – e o atual prefeito Bruno Covas – então secretário municipal da casa civil; e tentou, sem sucesso, aprovar uma contrarreforma da previdência municipal, impedida por meio da resistência de servidores públicos, sobretudo professores – apesar da violência empregada pela Guarda Civil Metropolitana – GCM.
  
Foto: Ueslei Marcelino
Condenado à perda dos direitos políticos por ter usado a marca do programa de zeladoria Cidade Linda para autopublicidade, segundo decisão recente da 1ª instância – cabe recurso no TRF-3, Dória tem problemas na justiça desde a passagem pela EMBRATUR. O Tribunal de Contas da União – TCU assina relatório em que constam “impropriedades de várias ordens” e a “não contabilização de verbas obtidas em convênio no exterior” na prestação de contas da então empresa estatal de turismo, assim como contratação de empresas sem licitação e concorrência. O candidato teria escapado de uma condenação pela intervenção do então ministro da Corte Adhemar Paladini Ghisi que debitou a desordem financeira, entre outras argumentações, na alta da inflação e da moratória da dívida externa da época.

Como típico de tucano, João Dória encontrou – e encontra – amparo na também típica subserviência de alguns mecanismos de justiça, principalmente tratando-se de um estado governado pelo mesmo partido desde 1994.

No plano de governo protocolado junto ao TRE-SP a campanha de Dória categorizou 14 temas, que vão desde educação à economia e gestão, como pilares de uma plataforma que deve dar continuidade à gestão tucana.

Sem muito detalhamento, o documento em alguns pontos é genérico e não aponta propostas efetivas. No tópico “Educação”, por exemplo, diz que “a educação ocupa um lugar de destaque nas sociedades contemporâneas e nas políticas públicas de governos que têm compromisso com o futuro das pessoas. E o futuro é agora!”, em um dos muitos trechos com obviedades. A sequência do plano de governo, recheado de frases de efeito, dá razão ao eleitor que arrisca supor que se trata de um texto de autor desconhecido no “ninho” tucano. O que seria um programa de governo para quem ficou conhecido nesta campanha por comprar e veicular vídeos de bancos de imagens?

Sem descrever caminhos, o ex-prefeito promete levar os mutirões Corujões da Saúde; os programas Dr. Saúde de Carretas, Remédio Rápido e Redenção para todo o estado, assim como apoiar municípios quanto à questão básica de saúde e integração do trabalho da rede hospitalar. Dória tem mais promessas em campanha de TV e Rádio do que no documento protocolado junto ao TRE-SP. Medo de ser pego praticando estelionato eleitoral? Talvez. 

Na  avaliação deste JC!, o programa de Dória, que abandonou a cidade de São Paulo para tentar puxar o tapete de Alckmin na disputa presidencial, além de um falacioso conjunto de ideias de marketing que não se sustentam na prática, como o próprio "Corujão", que é apenas um subterfúgio para a transferência de recursos públicos a grandes hospitais e algo que poderia ser feito dentro da iniciativa pública, nos moldes que o próprio Márcio França alega desejar fazer, tem um caráter ainda mais perigoso: o abraçar do Nazi-Fascismo. 

Quando Dória usa frases como: "No meu governo a PM vai atirar pra matar" e "vou pôr a 'Rota na rua'", ele apenas reforça a ideia errada e abraçada pelos zumbis ultraconservadores, como os apoiadores do "Coiso", de que a violência e o narcotráfico se combate correndo atrás de pobres nas favelas, quando não, não é assim. A violência se combate com inteligência policial e desmilitarização das forças policiais, com cada policial sendo também um agente de investigação capacitado e com instrumentos de inteligência que possibilitem quebrar os cabeças do crime organizado - com o qual a gestão tucana já admitiu ter acordos em outros tempos -, ao invés de ficar correndo atrás e atirando pra matar supostos "aviões e vapores" nas periferias. A campanha de Dória representa o elitismo e a alienação e precisa ser sumariamente derrotada nas urnas. 


Por: Claudio Porto e Adriano Garcia.


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Candidato se coloca contra todas as medidas do (des)governo Temer

Da coligação “Vamos sem medo de mudar o Brasil”, de PSOL e PCB, sai Guilherme Castro Boulos – Guilherme Boulos na urna –, que sem histórico em cargos eletivos busca comandar o Palácio do Planalto a partir de 2019 com programa de governo crítico ao status quo da política nacional e analítico o suficiente para se colocar como uma candidatura alternativa, uma via de escape. Paulistano com 36 anos completos, Boulos é o candidato a presidente do Brasil mais novo desde a redemocratização e tem vida marcada pela luta por moradia à frente do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto – MTST, do qual figura como coordenador nacional.
Foto: Reprodução / Facebook
Com pais médicos e professores da Universidade de São Paulo – USP, Guilherme Boulos vem de uma família de classe média de São Paulo e iniciou sua militância junto aos movimentos sociais, principalmente de esquerda, em 1997, quando entrou para a União da Juventude Comunista – UJC, coletivo ligado ao Partido Comunista Brasileiro – PCB, e em seguida no Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra – MST e MTST, onde permanece até hoje. Boulos é formado em Filosofia pela USP, atua como psicanalista e escritor, e, com passagem por escolas da rede pública de ensino em São Paulo, hoje leciona em uma escola de especialização. A guinada à esquerda de Boulos o levou a deixar a casa dos pais para morar em uma ocupação do MTST, em Osasco, na Grande SP.

Líder de um movimento importante pelas bandeiras que hasteia, como o déficit habitacional, Guilherme Boulos é constantemente atacado forças políticas orquestradas – coloca-se no balaio parte da mídia e o lobby imobiliário formado por políticos e especuladores financeiros – e tachado, por desconhecimento de causa ou mau-caratismo de seus detratores, de “invasor” pelo vínculo direto que mantém com as ocupações promovidas por seu grupo. É o que ele chama, com toda a razão, de “criminalização de movimentos sociais”. Boulos declarou ao TSE ter bens avaliados em pouco mais de mil reais.
Foto: Wanezza Soares
O candidato ganhou notoriedade por liderar protestos de ruas e atos em várias cidades do País, especialmente antes da Copa do Mundo de 2014. A atuação de Boulos à frente do MTST colaborou para que políticas públicas voltadas à habitação popular deixassem o papel e tornassem efetivas, como o aumento na oferta de linhas de créditos, o Minha Casa Minha Vida e mudanças nos planos diretores de municípios no sentido de maior preocupação com a moradia para sem-tetos.

Por ser líder do MTST, ligado à rede de movimentos sociais apoiados pelo PT – muito porque este governou o País por 13 anos –, Guilherme Boulos sempre manteve maior contato com os petistas. O fato não o impediu de iniciar sua vida partidária no PSOL, legenda pela qual lançou sua candidatura à Presidência da República. Apesar de considerar a situação do ex-presidente Lula “injusta”, Boulos se posiciona contrário a algumas práticas do PT e filiou-se ao PSOL em março deste ano.
Foto: Marighella Público
Em seu plano de governo – de longe o mais detalhado e com análise profunda dos desmandos do (des)governo Temer –, Boulos enfatiza que, caso eleito, revogará todas as medidas tomadas pelo presidente-nosferatu Michel Temer e defende maior participação do Estado no combate à desigualdade social, principal bandeira de campanha. São 288 páginas de propostas que vão desde a implantação de um programa focado em política de investimentos direcionado à infraestrutura, para aquecer a economia, ao reconhecimento, pelo Estado brasileiro, da existência dos mais de 300 povos indígenas.

Entre promessas como a reforma tributária progressiva, com taxação para grandes fortunas e dividendos, Guilherme Boulos propõe o que denomina de “Transparência e Gestão em Rede: Pela radicalização da abertura de informações”, com o estímulo para maior utilização de plebiscitos e referendos como instrumentos de participação popular, inclusive para revogar ou validar decisões tomadas pelo Congresso Nacional. O tema é abordado como um dos pontos de sua reforma política que propõe ainda a manutenção regular dos partidos políticos por meio das contribuições de filiados e do fundo partidário; o fim da cláusula de barreira; proibição do licenciamento de cargo eletivo para disputar eleições; distribuição igualitária do tempo de TV e do fundo público de campanha; entre outras proposituras.
Foto: Werther Santana
Boulos destaca como propostas de governo a desmilitarização de todas as forças policiais; o fim da atual política de guerra às drogas; a destinação de recursos necessários para a Lei Maria da Penha; a urbanização das favelas e a garantia de habitação de interesse social nas zonas urbana e rural; a destinação de 1% do PIB para o combate à violência contra a mulher, por meio do que a plataforma intitulou de “Pacto Nacional contra a Violência e Pela vida das Mulheres”; políticas de formação e emprego para o grupo LGBTI, assim como reconhecimento de identidade social para integrantes desse grupo; e a defesa do Estado laico e o veto a leis que ele considere conservadora.

A plataforma psolista apregoa o reconhecimento das organizações de prostitutas, na luta por direitos trabalhistas, e a defesa do projeto de lei, proposto pelo deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), que cria espaços de vivência para transexuais em presídios. Ainda consta do plano de governo a federalização da rede pública de ensino e mudanças em programas de incentivo a educação superior, como Prouni e FIES, que passarão, em caso de vitória de Boulos, a oferecer vagas na rede pública de universidades. Guilherme Boulos promete gerar um milhão de novas vagas no ensino superior, reforçando a expansão dos institutos federais, e regular os prestadores de serviços de educação privada no combate a oligopolização.

Expandir a cobertura da atenção básica de saúde; reverter à renúncia fiscal e impedir a participação de investidores financeiros e estrangeiros na gestão de planos de saúde; valorização dos profissionais de segurança e a regulamentação de programas policialescos; criação do que chama de “Sistema Único de Cidades”; proteção das águas e sistemas hídricos e a demarcação de terras indígenas; reforma agrária popular; e a introdução a metas de emprego na política monetária constam ainda do plano de governo protocolado pela chapa de Guilherme Boulos, que leva como candidata a vice-presidente do Brasil, a líder indígena Sônia Guajajara.

Como se nota em todos os trechos deste perfil, Boulos tem um programa bastante completo que, assim como a candidata do PSOL ao governo de São Paulo,Lisete Arelaro,  trata-se de uma plataforma maior do que o candidato. É como Plínio dizia: uma ideia que "transcende o candidato, é uma visão do partido, uma visão socialista do mundo". Tratam-se de ideias bem fundamentadas, as quais pairam dúvidas sobre a possibilidade e o capital político usado para cumpri-las, mas o partido defende que, com o povo junto, todas as suas ideias são possíveis de serem implementadas.

Como já citado, Boulos tem grande ligação com os movimentos sociais e com os instrumentos de comunicação do PT. Isso gerou uma divisão dentro do próprio partido, onde se passou uma ideia de que o problema fora resolvido internamente, com a aclamação de sua candidatura à Presidência na convenção partidária, mas parece que ela não decolou entre os eleitores da legenda, e a maioria se dividindo entre Ciro e Haddad, estando Guilherme em terceiro lugar dentre o eleitorado que, em tese, naturalmente seria seu. Essa divisão explicar isso em parte. Por outro lado, o candidato sempre demonstrou muita articulação em todas as aparições públicas, teve grande desempenho em todos os debates, começou a campanha num tom acima, depois, pertinentemente, ajustou-o e dosou com uma ironia ácida em relação a direita política.

Difícil entender por que a candidatura Boulos não consolidou um patamar um pouco maior do que o atual nas pesquisas. Estaria o eleitor tradicional da esquerda preenchido por somente dois vieses, os que estão com Lula e não abrem e aqueles que entendem que o candidato pedetista seria o caminho? E de onde vem os votos do PSTU, que nas atuais pesquisas teria o mesmo patamar do PSOL, uma situação distante da realidade atual do partido. São questionamentos que, talvez, nunca sejam adequadamente respondido ou que a urna dará respostas que os institutos não estão captando. 



Por: Claudio Porto e Adriano Garcia.

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Pedetista é o único candidato negro entre os 12 que disputam o Bandeirantes

Natural de Marília, município do interior de São Paulo, Marcelo de Souza Cândido – Marcelo Cândido na urna – é o candidato do Partido Democrático Trabalhista – PDT e está prestes a completar 49 anos de idade. Formado em Geografia pela Universidade Estadual de São Paulo – UNESP de Rio Claro, Cândido esteve na condição de deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores – PT, de 2002 a 2004, quando deixou a Assembleia Legislativa para concorrer, e ganhar, a disputa pela prefeitura de Suzano, cidade da Grande SP, onde ficou por dois mandatos – de 2005 a 2012.
Foto: Eduardo Azinelli
O hoje candidato ao governo de São Paulo pelo PDT vem de família política. Morto em 2012, José de Souza Cândido, pai de Marcelo, foi vereador de Suzano por três vezes, deputado estadual por dois mandatos, sempre pelo PT, e dá nome à atual câmara municipal daquela cidade. Cândido deixou o PT ao final de sua segunda gestão à frente da administração da máquina suzanense, em 2016, para filiar-se no PDT.

Marcelo Cândido foi presidente do Subcomitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e da Associação de Municípios do Alto Tietê – atual Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê – CONDEMAT. O candidato foi ainda membro permanente da Associação Brasileira de Municípios – ABM e dirigente da Frente Nacional de Prefeitos – FNP. Apesar do currículo, Cândido acumula acusações na esfera jurídica, inclusive com condenação à perda dos direitos políticos, em julho de 2013, em uma ação protocolada pelo Ministério Público Eleitoral – MPE por improbidade administrativa, sob a acusação de irregularidades na contratação e construção do Corredor Ecológico e Recreativo do Distrito da Boa Vista, que previa obras como campo de bocha, colocação de grama, instalação elétrica e iluminação, banco de concreto, passarelas, colocação de lixeiras. O caso de Marcelo Cândido transitou em julgado e, em tese, ele estaria enquadrado na Lei da Ficha Limpa. Ao lado da candidatura de Edson Dorta (PCO) (clique!), a postulação pedetista também foi barrada pela justiça eleitoral. Apesar da decisão, Cândido segue em campanha e os votos que venha a receber devem ser invalidados pelo Tribunal Regional Eleitoral – TRE-SP. 
Foto: Irandy Ribas 
A candidatura do ex-prefeito de Suzano, que declarou ter 400 mil reais em bens patrimoniais, foi provocada às pressas pela diretoria pedetista, que encaminhava aliança com o candidato do Partido Socialista Brasileiro – PSB, Márcio França, em troca do apoio da legenda pseudosocialista em nível nacional ao presidenciável Ciro Gomes(PDT) – o que não aconteceu (clique!).

Marcelo Cândido defende um programa com 12 pontos – número da legenda – e é a única candidatura negra da disputa. Apesar do aspecto representativo, importante à mesma medida de Lisete Arelaro (PSOL) – única mulher na corrida –, a plataforma pedetista é genérica e pouco aprofundada. Em as “12 propostas básicas da campanha”, documento protocolado junto ao TRE-SP, não há muita descrição de eventuais programas que, em caso de vitória, venham a ser implantados, assim como não especifica as estratégias para cumprir as promessas que seguem a linha de “retomada do investimento na saúde”, “ações preventivas de inclusão social”, “combate a desigualdade social”, “mobilidade urbana e acessibilidade”, “políticas de incentivo”, entre outras pequenas orações protocolares.
Foto: Luccas Balacci
Paralelo a isso, o candidato compromete-se, no mesmo documento, com a revisão das concessões de rodovias e pedágios; a retomada das obras paralisadas do sistema viário; o fortalecimento das controladorias; reformulação do sistema prisional e um plano de carreira para a força policial estadual, que viria a ser aumentada e qualificada em uma eventual gestão de Cândido e de Gleides Sodré Almazan, baiana de Vitória da Conquista e vice da chapa.

A candidatura de Cândido, como aqui já dito, é importante no sentido marcar posição, ser a única candidatura negra no pleito paulista e ser um candidato que teve seus mandatos em Suzano, na região do Alto Tietê, aprovados pela população. Quando questionado sobre as condenações, que devem levar a impugnação de sua candidatura no TSE e consequentemente anulação dos votos a si direcionados, o candidato defende-se atribuindo as irregularidades à gestão anterior, sobretudo na formulação dos contratos supostamente irregulares. 
Foto: Nilton Fukuda

Ainda que o candidato tenha se apresentado como nome interessante e tenha predicados positivos, inclusive em sua gestão, fica a observação a essa falha do PDT, tanto no critério do lançamento de sua candidatura, visto que o processo transita em julgado, independente dos argumentos por ele alegados, que tem o nosso respeito. Bem como também de novos filiados, assim como ele, saídos do PT na região da zona leste e do Alto Tietê, como, por exemplo, o candidato a deputado estadual Luiz Moura. O partido deveria ter um melhor critério no aceite de novos quadros, bem como no lançamento de tais candidaturas.



Por: Claudio Porto e Adriano Garcia.

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