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Olá fãs da velocidade! Demorou um pouquinho, mas estamos de volta!! O ano de 2021 começou oficialmente para a Fórmula 1 nesse final de semana, com a prova inaugural da temporada acontecendo no Circuito Internacional de Sakhir, no Bahrein. O traçado que recebeu a antepenúltima etapa do campeonato de 2020 já havia servido como palco para o tradicional teste de pré-temporada, e havia apresentado um cenário um tanto quanto diferente do que o habitual para os últimos anos. Entre problemas de rendimento e confiabilidade, a Mercedes havia cedido protagonismo para a Red Bull, que conseguiu em Max Verstappen alcançar um ritmo quase imbatível: melhor tempo nos testes, nas três sessões de treinos livres e pole position, com mais de 4 décimos de vantagem! No entanto, o que para muitos parecia uma superioridade inquestionável da Red Bull foi posto em jogo na corrida de domingo.

Valendo-se de um undercut (ou parada antecipada em português), Lewis Hamilton pulou da P2 para P1 pouco antes da metade da prova, e numa corrida de muitas possibilidades o inglês foi competente para manter o bom ritmo até o final e faturar mais uma vitória. Verstappen chegou muito perto na segunda posição, que deixou um gosto amargo na boca do holandês. Valtteri Bottas teve um domingo discreto, e uma boa dose de azar acabou por selar um melancólico terceiro lugar, que ainda assim lhe rendeu bons pontos no campeonato. Confira nosso texto sobre a corrida: 

Foto: F1 Media


 A corrida começou movimentada, e isso antes mesmo das luzes vermelhas se apagarem para a largada. Checo Pérez, que fazia sua estreia na Red Bull, sofreu uma pane geral em seu bólido na altura do setor 3 da volta de apresentação. O carro aparentemente se desligou por inteiro, deixando Pérez estacionado no lado da pista. Depois de alguns minutos de agonia, o RB16B voltou à vida, permitindo à Pérez retornar aos boxes e iniciar o GP, só que dessa vez largando da última posição. 

Com uma volta de atraso, finalmente era hora da corrida em Sakhir! Mas não por muito tempo. Na saída da curva 3, o estreante Nikita Mazepin perdeu o controle de sua Haas, rodando na pista e indo de encontro à barreira de pneus. Fim de prova para o russo, cuja estreia foi péssima: 2 rodadas em duas tentativas de volta rápida no qualifying mais um abandono precoce no domingo. A trajetória de Mazepin já é confusa e questionável por si só: filho de um dos homens mais ricos da Rússia, Nikita se envolveu em confusões dentro e fora da pista em seu período de Fórmula 2, incluindo acusações de abuso sexual. Com pouco carisma com o público, Mazepin também não demonstra ter braço o suficiente para ser merecedor de uma vaga no grid da categoria, e sua presença no assento do time norte amreicano só evidencia a necessidade de aporte financeiro que o time de Gene precisa. 

Aliás, vale a pena mergulhar um pouco mais à fundo na situação em que a Haas se encontra. O time antes promissor parece ter se afundado num buraco que não deixa muitas opções de saída: o carro é notoriamente inferior e será dirigido por dois estreantes, que não tem experiência para extrair mais do que a equipe pode oferecer. Além disso, o time já anunciou que não haverão quaisquer atualizações no decorrer da temporada, o que significa que não haverá ganho de performance em relação aos demais. Levando isso em conta fica fácil perceber o porquê de tanta preocupação com o futuro do time. Sem ninguém para liderar um time frágil e carente de bons resultados, é justíssimo esperar que a Haas ocupe a lanterna esse ano, possivelmente sem nem mesmo conseguir marcar pontos. A aposta de direcionar os investimentos para 2022 precisa funcionar, caso contrário até mesmo a continuidade da equipe americana pode ficar em xeque, o que certamente representaria um grande passo atrás para a própria Fórmula 1 como um todo. 

Foto: Motorsport.com


Depois de quase 20 minutos a mais de espera, a temporada 2021 da F1 finalmente viu suas primeiras voltas disputadas a toda velocidade. Verstappen liderava o pelotão, seguido por Hamilton e por um surpreendente Charles Leclerc. O monegasco conseguira ultrapassar Bottas ainda na primeira volta, deixando o finlandês no quarto lugar. Lando Norris e Daniel Ricciardo completavam o top-6, mantendo as McLarens na parte de cima da briga. Ainda nas primeiras voltas, o cenário para o restante do GP começou a se desenhar. 

Na liderança, Verstappen e Hamilton se desgarravam do restante do pelotão, imprimindo um ritmo claramente superior à Ferrari de Leclerc que vinha logo atrás. Bottas acabou preso no tráfego do monegasco, e quando conseguiu a ultrapassagem já se encontrava mais de 4 segundos atrás dos dois líderes. Ainda que tentasse, o ritmo do finlandês jamais seria páreo perante os dois grandes nomes da categoria nos dias atuais. Daquele momento em diante, o domingo de Bottas já estava ao menos parcialmente comprometido, e qualquer chance de vitória tornava-se ainda mais remota. 

Pouco tempo depois da ultrapassagem de Bottas foi a vez de Norris partir pra cima de Leclerc. Tal qual Valtteri, o britânico não teve maiores problemas para efetuar a manobra, se colocando rapidamente na quarta posição (ou se você preferir, o tradicional posto de "melhor do resto", já que Pérez seghuia remando no meio do pelotão). Dando pinta de ser um carro extremamente competitivo nos testes, a McLaren mostrou que novamente vem forte para a briga pelo terceiro lugar nos construtores, mas talvez acabe ficando por isso mesmo. Claro que se o time conseguir se estabelecer nessa posição já poderá considerar como um progresso tendo em vista 2021, onde a Racing Point era possivelmente o terceiro carro mais rápido do grid. Porém, a julgar pelas ambições do time que queria diminuir a distância para o top-2, talvez essa tarefa fique para o ano que vem. 
Apesar de competitivo, o time laranja não esteve nem perto de desafiar Mercedes ou Red Bull. No entanto, Lando Norris teve um domingo irretocável: sem erros, o piloto #4 manteve-se constante durante toda a prova, vindo até mesmo a construir uma vantagem segura para Charles Leclerc na fase decisiva da corrida. Talvez ainda falte aquele ingrediente a mais para que a McLaren volte a brigar pelo protagonismo, mas certamente há otimismo e oportunidades a serem aproveitadas na estrada adiante. 

Primeira rodada de pits, e nesse momento a Mercedes começou a colocar as mangas de fora. Dentro de uma distância favorável para Verstappen, o time alemão chamou Hamilton para os boxes mais cedo do que o esperado. Ao voltar com os pneus mais novos, Lewis foi capaz de encaixar uma volta voadora e construir uma diferença que impedisse Verstappen de entrar nos boxes na volta seguinte e retornar ainda na primeira posição. dessa maneira, estava caracterizado o undercut, que colocava as flechas negras em posição de ataque para o restante da corrida. 

 Max viria aos boxes algumas voltas depois, retornando à pista em torno de 6 segundos atrás de Hamilton, porém com pneus mais macios e mais novos. Dessa maneira, a ideia era diminuir rapidamente a diferença para Hamilton, forçando o inglês a parar mais cedo do que o planejado. E funcionou! Com apenas 16 voltas completadas, Hamilton via a aderência em seus compostos duros se esgotarem, e com Verstappen a menos de 2 segundos de distância a equipe Mercedes decidiu rapidamente por um segundo pit-stop, mesmo com praticamente metade da corrida restante. Com um jogo de pneus duros para ir até o final, a situação de Hamilton tornava-se um pouco mais complexa, já que Lewis teria de dosar seu ritmo, ao mesmo tempo em que não poderia deixar com que Verstappen escapasse na liderança. 

No meio desse jogo, Valtteri Bottas tentava se apresentar como uma alternativa. Bottas pediu a equipe um segundo stint mais longo, que possibilitasse pneus mais novos no final da corrida. O desejo porém não foi atendido, e para piorar a situação a equipe Mercedes mais uma vez falhou com Valtteri em seu pit-stop. Um problema na retirada de uma das rodas significou a perda de mais de 10 segundos nos boxes, relegando Valtteri à um distante quinto lugar em pista. Se ainda havia alguma esperança para o piloto #77, ela acabava aí.

E novamente, tornamos a falar do aspecto psicológico para Bottas. Creio que é hora de propor um breve exercício de imaginação: imagine você, vindo de quatro anos seguidos onde acumulou falhas em seu maior objetivo no trabalho. Então, no início da nova temporada, vem a oportunidade de mudar as coisas, dar um pontapé inicial diferente e começar o ano com otimismo. Tudo isso cai por terra, graças a uma largada ruim, à um desempenho não extraordinário e uma falha da sua equipe. Tudo isso machuca. 

Assim como na vida comum é fácil se decepcionar, Bottas também tem encontrado motivos de sobra para ficar pra baixo. E pilotos sem confiança não ganham campeonatos. É importante para Valtteri não se acostumar com as coisas dando errado. Caso contrário, a chance de sua vida vai (mais uma vez) passar pela janela, sem que suas mãos estejam, prontas para agarrá-la. 

Foto: Motorsport.com


Sem Bottas para ao menos fazer sombra, Hamilton e Verstappen finalmente tiveram o duelo que tanto ensaiavam. Com posição de pista, Max era o favorito àquela altura, com Lewis diminuindo a diferença graças aos pneus mais novos. Restando 15 voltas para o fim, a segunda e derradeira parada de Verstappen tomou lugar. Troca para os compostos duros, voltando à 8 segundos da Mercedes #44. Era hora de sentar o pé e ir em busca de Hamilton. E de início tudo corria muito bem. Verstappen tirou cerca de dois segundos nas primeiras três ou quatro voltas, dando a entender que seria até mesmo fácil retomar a ponta. Mas o tempo foi passando, as voltas diminuindo e a diferença caindo cada vez mais lentamente. 

Como se num jogo de paciência, a impressão é que Verstappen estava preservando equipamento, evitando acelerar demais e deixando que a diferença caísse naturalmente. Quase que brincando com o tempo, que sem perceber escorria por suas próprias mãos. Últimas 5 voltas, e Lewis ainda tinha dois segundos de vantagem. Era agora ou nunca para Max. 

O holandês finalmente foi para o tudo ou nada, forçando o carro em cada curva e colando na traseira de Hamilton. Era visível que a Red Bull estava mais inteira naquela fase da corrida. Com DRS a disposição em pelo menos mais três voltas, Verstappen tinha a faca e o queijo na mão para começar 2021 no lugar mais alto do pódio. E então, o momento decisivo da corrida mudou os rumos que a briga tomava. Na volta 53, Verstappen colocou por fora na aproximação para a curva 4. 

Lado a lado com Hamilton, Max acabou espalhando demais, mergulhando na área de escape do circuito para somente depois sair à frente de Hamilton. O movimento foi considerado ilegal pela direção de prova, que pediu para a Red Bull devolver a posição para Lewis. Verstappen assim o fez quase imediatamente, na esperança de que teria tempo o suficiente para tentar de novo. Mas a realidade mostrou-se diferente: ao devolver a posição, Verstappen se viu no ar turbulento da Mercedes #44, exatamente numa das curvas mais complicadas do circuito (a sequência de curvas 13/14). O holandês saiu de frente e precisou corrigir, perdendo valiosos décimos de segundo. Sem o DRS, Verstappen não conseguiu emparelhar com Hamilton nas voltas subsequentes, e quando voltou a ficar em posição de ataque, o tempo já havia se esgotado. Por 7 décimos de segundo, Hamilton cruzou a linha de chegada em primeiro pela 96a vez na carreira, e deu à Mercedes uma inesperada vitória na estreia da temporada 2021.

Mais uma vez, o lance mais importante da corrida é também motivo de grande polêmica. Sinceramente, esse não é mais o tipo de discussão com a qual gosto de me envolver. Parar por minutos, olhar dezenas de replays vendo aonde estava a linha branca, qual a posição do carro perante o outro, o momento em que ela teria completado a ultrapassagem... Honestamente, a Fórmula 1 é um esporte, uma forma de entretenimento. Vale mesmo a pena gastar tanto tempo de nossas vidas analisando a exaustão um lance tão específico como esse? 

Foto: Motorsport.com


 Tornando para a corrida em si, fico com a mesma abordagem que a transmissão internacional da F1 teve. A impressão é de que essa corrida estava nas mãos da Red Bull e de Verstappen, e ambos a deixaram escapar. Seja pela incapacidade de evitar o undercut no início da corrida, ou mesmo pelo ocorrido no final, com uma ultrapassagem mal calculada por Max e talvez uma atitude impensada da Red Bull, que poderia ter preferido manter-se à frente na pista e tentar abrir os 5 segundos de vantagem para cobrir uma possível penalidade. Independente de como, o fato é que durante o fim de semana e também no domingo, o carro austríaco sempre pareceu no comando das ações, aparentemente muito mais na ão de Verstappen se comparado à relação entre Mercedes-Hamilton. E ainda assim, foi Lewis quem saiu como vencedor. Para um time que quer ser campeão do mundo, esse não é um bom jeito de começar o campeonato. Alerta ligado para o time de Milton Keynes, afinal se tem alguém que sabe como capitalizar são as flechas de prata. 

 E como a Mertcedes capitalizou nesse fim de semana. Vitória, dois carros no pódio e quase o dobro de pontos que os concorrentes no mundial de construtores. Sim, a temporada promete ser desafiadora, talvez o maior desafio dos últimos 8 anos. Mas é movida por esse desafio que a Mercedes pode encontrar motivação para seguir melhorando, em busca de alcançar o aparente progresso feito pela Red Bull na última temporada. Não será fácil, mas novamente os alemães e Hamilton mostraram que estão prontos para comprar essa briga, e prometem levar ela até onde conseguirem. 

 Confira a classificação do GP do Bahrein:



Por hoje é só pessoal! Estaremos de volta nas próximas corridas do campeonato, que segue daqui a duas semanas com corrida em Imola! Abraço a todos e até a próxima! 




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 Olá fãs da velocidade! Estamos de volta nesse domingo para o último texto sobre Fórmula 1 nesse ano! A temporada 2020 da nossa categoria preferida chegou ao fim com o GP de Abu Dhabi, realizado no já conhecido circuito de Yas Marina. Mesmo com ambos os campeonatos já decididos, ainda haviam algumas lutas e narrativas em aberto: na Red Bull, Alex Albon teria provavelmente sua última chance para salvar uma vaga na equipe em 2021; enquanto um pouco mais atrás Racing Point, McLaren e Renault seguiam na luta pelo terceiro lugar no mundial de construtores. 

À parte de tudo isso, um outro personagem decidiu surpreender a maioria das expectativas. Max Verstappen fez um fim de semana praticamente perfeito, com direito a pole position e vitória liderando todas as voltas! O holandês levou sua Red Bull #33 ao topo do pódio pela segundo vez no ano, seguido por Valtteri Bottas em segundo e Lewis Hamilton em terceiro. Apesar de ser superada com veemência na pista, a Mercedes pode ficar mais tranquila do que o cronômetro sugere, afinal o próximo GP será o início de uma nova história, e com certeza os alemães já estão se preparando para ela. Confira conosco a análise do GP de Abu Dhabi a partir de agora

Foto: Getty Images

Já no sábado, o GP árabe dava sinais de que seria positivo para a equipe Red Bull. Os austríacos acumularam boas participações no treino livre, presenciando um resultado ainda mais encorajador na sessão de classificação. Com Verstappen sempre na mesma balada das Mercedes, a luta pela pole foi feroz, e o holandês fez valer sua fama de piloto rápido e agressivo. Com uma volta perfeita no Q3, Max desbancou ambas as flechas negras, conquistando a primeira pole position de um motor não-Mercedes em 2020! O próprio desempenho de Alex Albon tinha lá sua dose de otimismo, já que o tailandês andou boa parte da sessão no quarto lugar, colocando-se por final na quinta posição para o grid de largada. Pela primeira vez no ano, a Mercedes via-se superada em condições normais de pista, o que construía uma atmosfera no mínimo diferente para a corrida. 

Hora da largada, especialmente importante no travado circuito de Yas Marina. Partindo da ponta, Verstappen não decepcionou e manteve a primeira posição. Na sequência, os demais carros seguiram esse movimento, com as posições do grid sendo mantidas até o fim da primeira volta. Bottas permaneceu em segundo, seguido por Hamilton, Norris e Albon. 

Ainda nas primeiras voltas, Alex Albon já dava indícios de que poderia ter um domingo mais promissor. O piloto #23 era visivelmente mais rápido que Norris, que ocupava a quarta posição. Aos poucos, Alex foi se aproximando do jovem britânico, até se utilizar da zona de DRS para colocar de lado e completar a manobra. Rapidamente, Alex abriu uma vantagem sólida ante a McLaren, demonstrando de fato que nesse domingo estava muito mais confortável no cockpit de seu Red Bull. 

Apenas algumas voltas depois, veio o acontecimento que condicionou todo o restante da prova. Por volta da décima volta, a Racing Point de Sergio Pérez teve um problema de pressão de óleo, o que forçou o abandono do mexicano. Sem conseguir levar o carro aos boxes, a RP #11 parou junto ao guardrail, gerando um VSC que logo foi convertido em safety-car físico. A ocasião levou praticamente todos os pilotos para os boxes, naquela que seria a única rodada de pits do dia. 

Todos aqueles que se dirigiram ao pit-lane optaram por um jogo de pneus duros novos, deixando claro que a intenção era ir até o final da prova sem mais paradas. As exceções a essa escrita foram Daniel Ricciardo e as duas Ferraris, que optaram por ficar na pista e tentar algo diferente. Daniel foi alçado ao quinto lugar, enquanto Vettel era o sétimo e Leclerc o oitavo. 

Foto: Motorsport.com


Antes de seguir com a prova, cabe um breve parênteses para mencionar a situação de Checo Pérez. O mexicano, vencedor da última prova no Bahrein, pode ter feito hoje sua despedida da Fórmula 1. Ainda sem data para anunciar seu segundo piloto, a Red Bull deixará Checo na espera, minando também qualquer possibilidade de Pérez cavar uma vaga em qualquer outra equipe. Ainda assim, Sergio Pérez já se disse confiante de que, caso não assine com os austríacos, tem tudo para voltar em 2022. 

Mesmo sem citar nomes, é natural que venha a mente um assento na Alfa Romeo, antiga Sauber aonde Pérez iniciou sua trajetória na Fórmula 1. De qualquer modo, é justo dizer que o mexicano fez o suficiente para estar no grid ano que vem, e num carro de ponta. Mesmo com duas corridas a menos (por conta do diagnóstico de covid-19), Pérez levou para casa o quarto lugar no mundial de pilotos, o equivalente ao prêmio de "melhor do resto" da Fórmula 1. Além do mais, Pérez terminou nos pontos em todas as corridas que finalizou, demonstrando que sua boa e velha consistência ainda não foi perdida. Sem dúvida, é um talento e tanto para a maior categoria do esporte a motor. 

Passados os pensamentos sobre Checo, voltemos ao transcorrer da prova em si. Depois de um par de voltas, o SC deu adeus a pista, e para não mais voltar. Na relargada, Verstappen conseguiu fazer um bom trabalho, evitando ataques de qualquer uma das Mercedes que o perseguiam. A partida também foi limpa para os pilotos que vinham mais atrás, e as primeiras ultrapassagens só começaram a acontecer algumas voltas depois. 

O primeiro a forçar o ritmo foi Carlos Sainz. O espanhol da McLaren via-se em nono, atr´[as de ambas as Ferraris. Ciente de que seria importante ganhar posições na luta pelo terceiro lugar no mundial de construtores, Carlos deixou o modo Smooth Operator para trás e partiou ao ataque de ambos os carros vermelhos. Com manobras precisas, aliadas a um rendimento notoriamente melhor do carro laranja, Sainz deixou para trás tanto Leclerc como Vettel, subindo a P7 atrás de seu companheiro Lando Norris. 

Mas os problemas da Ferrari não pararam por aí. O rendimento de Charles Leclerc é visivelmente inferior ao dos demais pilotos, e o monegasco n~]ao pode fazer nada a não ser contemplar os adversários, um a um, ultrapassarem-no sem muita resistência. A estratégia alternativa também não facilitava as coisas, expondo ainda mais o já fraco carro italiano. Com pouco menos de metade da corrida, Charles foi aos boxes para sua única parada no domingo, retornando à pista numa melancólica última posição. 

Foto: Motorsport.com


A temporada ferrarista passou longe de ser aquilo que todo mundo imaginava. Depois da polêmica envolvendo o motor de 2019, o time italiano perdeu muito rendimento e não conseguiu ir além do pelotão intermediário em 2020. Mais do que isso: chegou a ser derrotado por AlphaTauri e por sua cliente Alfa Romeo em algumas ocasiões, como nesse GP de Abu Dhabi em específico. Certamente algo inadmissível para a tradição e o investimento que existem em Maranello. 

Para o ano que vem é difícil imaginar um grande salto, uma vez que o desenvolvimento dos carros está parcialmente congelado devido à questão da pandemia. Porém, não há dúvida de que progressos precisam ser feitos. Estar mais próximo da luta por pódios é quase uma obrigação para os italianos, que precisam desenvolver tanto o motor quanto os aspectos aerodinâmicos. 

Mas como transformar a abóbora em carruagem? É claro que esse processo passa longe de ser simples. aparentemente, a filosofia de trabalho da Ferrari parece ultrapassada. Um ambiente cercado de pressão, que deixa os funcionários intimidados e valoriza apenas os resultados. Esse ambiente tóxico e com uma liderança rígida pode ser aquilo que vem impedindo os italianos a retornarem aos seus dias de glória. Quem sabe, esteja na hora de uma reforma geral na Scuderia, partindo inclusive dos princípios internos. Através de uma gestão moderna (algo visível em McLaren e principalmente Mercedes) o time poderia maximizar as oportunidades e desenvolver um ambiente mais propício para melhores resultados. 

Mas, a julgar pelas declarações que saem na imprensa, essas ideias parecem apenas meros ensaios de um blogueiro que cobre Fórmula 1. Por enquanto, tudo deve ficar como está, e a Ferrari segue sem um panorama claro para 2021 e o futuro. Resta esperar parar ver quais ventos sopram sob o time vermelho, e se a velha receita da liderança dura trará de novo resultados. 

Seguindo com a prova, Verstappen ditava o ritmo da corrida, e de maneira até mesmo folgada. O holandês não teve problemas em abrir seus 4 segundos para Valtteri Bottas, que se mantinha também com facilidade à frente de Lewis Hamilton. O trio de frente era dessa vez seguido mais de perto por Alexander Albonm companheiro de Verstappen e que está na Berlinda para 2021. Albon se manteve sempre no mesmo ritmo do top-3, estando durante toda a corrida a menos de 10 segundos de distância atrás de Hamilton. 

Sem dúvida que a boa corrida do tailandês tem seu valor e deve render elogios ao mesmo, porém existem alguns pontos que não podem passar em branco. O primeiro é o mais óbvio deles: não se pode fechar os olhos à temporada péssima que Albon teve até hoje. Com menos da metade dos pontos do companheiro, Alex foi superado por pilotos como Pérez, Ricciardo e Sainz no campeonato, sendo que todos estes tem carros notoriamente mais lentos que o tailandês. 

Além do mais, é fato que já estamos na última corrida da temporada. Uma equipe como a Mercedes, que já havia vencido ambos os campeonatos, poderia muito bem ter focado todas as suas atenções em melhorar o projeto para 2021, enquanto a Red Bull sabidamente seguiu investindo em 2020. Isso explica em partes o porquê de Albon ter se equiparado a Hamilton, bem como o fato de Verstappen não ter sofrido ameaças durante todo o GP. 

Foto: Motorsport.com


Mas também há prós a favor de Alex, e além do resultado por si só, existe uma característica importante a ser mencionada. Segundo informações da imprensa, o carro da Red Bull em 2021 tende a ser muito parecido com o de 2020, tornando-se inclusive menos arisco quanto a guiada. Nessa situação, a chance de que Albon consiga uma temporada melhor no ano que vem cresce bastante. Afinal Alex já teria muita experiência no volante do bólido, que ainda por cima seria mais gentil com a guiada do tailandês. 

É claro que para nós, fãs do espetáculo, a escolha dessa vaga parece óbvia. Sergio Pérez tem totais condições de ser um adversário mais próximo de Verstappen, tornando-se um fator considerável em muito mais corridas. Porém pensando como chefe de equipe, a escolha pode ser um tanto mais complexa. Existem aspectos internos, e principalmente políticos que se sobressaem à questão esportiva. Vamos esperar pelas próximas semanas, afinal essa é a grande história que a F1 leva para a offseason. 

Enquanto Max abria cada vez mais na liderança já com a prova se encaminhando para o final, a corrida no meio do pelotão tomava sua forma decisiva. Com as paradas de Vettel e Ricciardo, todos os pilotos assumiram suas posições reais em pista, e o quadro da prova tornou-se mais visível a todos. Em P5 com Norris e P6 com Sainz, a McLaren destacava-se como a grande vencedora do dia, e quiçá da própria temporada.

Com um carro aparentemente inferior ao da Racing Point, a escuderia inglesa se baseou numa operação extremamente eficiente, se aproveitando de erros e falhas de confiabilidade dos rivais para se sobressair na pontuação. Outro ponto de destaque do time laranja foi a dupla de pilotos. Carlos Sainz e Lando Norris foram extremamente constantes, com raríssimos erros de pilotagem. Através dessa dinâmica, a McLaren somou mais pontos que qualquer uma das concorrentes no pelotão intermediario, retornando assim ao terceiro posto no mundial de construtores, algo que não conseguia desde a temporada 2013! 

Ainda existem pontos a serem melhorados, e o carro com certeza não está em seu máximo. Mas é para isso mesmo que a McLaren contratou Daniel Ricciardo: com a expertise de um vencedor de GPs que já esteve em uma equipe campeã do mundo, o time de Woking buscará dar o passo adiante para encostar de vez na briga por vitórias, seja em 2022 ou mesmo no ano que vem. 

Por fim, concluímos com o pódio do dia. Verstappen seguiu seu caminho tranquilo rumo a vitória, tranquilo até demais para que pudesse ser de fato representativo. É perfeitamente imaginável e compreensível que a Mercedes não estivesse 100% focada nessa prova, o que torna as projeções para o ano que vem ainda uma espécie de tiro no escuro. Quanto ao duelo Bottas x Hamilton, foi notório que o inglês não estava confortável em seu retorno pós-covid. Enfrentando problemas de adaptação com os pedais e reclamando ainda de sua própria forma física, Hamilton sofreu uma rara derrota no qualifying, sendo que na corrida jamais conseguiu efetivamente brigar pela segunda posição. 

A exemplo do que falamos sobre a forma da Mercedes, estes fatores não são necessariamente representativos. A situação de Hamilton é atípica, e os três meses de descanso até o início da nova temporada irão com certeza revigorar boa parte dos problemas do inglês. E serão longos, muito longos três meses...

Confira a classificação do GP de Abu Dhabi:



É isso pessoal, concluímos aqui mais uma temporada de análises da Fórmula 1 no Jovens Cronistas! Gostaria de agradecer a todos que me seguiram por esses loucos 6 meses com 17 corridas, uma experiência nova e que certamente ficará marcada em nossa memória. Queria agradecer também ao blog por disponibilizar o espaço, concedendo essa oportunidade de fazer algo extremamente prazeroso que é relatar, seja em texto ou em vídeo, as opiniões e os acontecimentos desse esporte que é parte importantíssima de minha vida. É um projeto que tenho sorte de fazer parte, e do qual me sinto grato por contribuir. 

Ainda teremos pelo menos um vídeo saindo nessa semana, então fique ligado em nosso canal para não perdê-lo. Me despeço de 2020 pela mídia escrita aproveitando para desejar um ano novo muito feliz a todos, que as dificuldades da pandemia e de quaisquer outros problemas pessoais sejam superadas, e que o simbolismo de um novo ciclo possa representar de fato uma trannsformação na vida dos que dela precisam. Abraço a todos, cuidem-se e até o ano que vem! 



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 Olá fãs da velocidade! Estamos de volta nesse domingo para comentar mais um GP da Fórmula 1. E a prova da vez foi uma novidade: o GP de Sakhir, realizado no mesmo circuito que recebe o tradicional GP do Bahrein, apresentou um traçado diferente. A pista usava parte do circuito tradicional, mas era composta basicamente por retas, tendo apenas uma chicane no setor 2 e os cotovelos nas curvas 1, 3 e 11. 

Se o traçado já era uma curiosidade e tanto, o que dizer das demais mudanças no grid? Três pilotos faziam estreias nessa corrida: Pietro Fittipaldi substituía o lesionado Romain Grosjean na Haas, enquanto Jack Aitken debutava na Williams no lugar de George Russell. Este último seria o centro das atenções ao ocupar a vaga de Lewis Hamilton na Mercedes, já que o piloto #44 testou positivo para covid-19 no início da última semana. 

E se não bastassem todas essas histórias, o GP de Sakhir resolveu ser daqueles dos mais caóticos! Depois de uma primeira metade previsível, um acidente de Aitken desencadeou uma série de acontecimentos que se mostraram determinantes para o resultado final da prova. A Mercedes cometeu falhas na estratégia, deixando tanto Russell como Bottas com suas corridas comprometidas. Melhor para a Racing Point, que um dos carros mais rápidos do fim de semana, e que nas mãos de Sergio Pérez alcançou a glória. O mexicano herdou a primeira posição após a trapalhada da Mercedes, e de lá não saiu mais, faturando uma histórica primeira vitória na carreira! Esteban Ocon chegou em segundo, no que seria seu primeiro pódio na categoria. logo atrás, Lance Stroll completou um fim de semana perfeito para a Racing Point, que tornou a ficar com a vantagem na disputa versus McLaren e Renault no mundial de construtores. Confiram agora nossa análise do final de semana. 

Foto: Getty Images

O primeiro ponto importante aconteceu já no sábado. Competitivo durante boa parte dos treinos livres, George Russell era a grande história do fim de semana até então. Será que o jovem inglês seria capaz de conquistar a pole position logo em sua primeira classificação num carro competitivo? A resposta foi quase (e muito quase mesmo!). Por menos de meio décimo de segundo, Russsell não conseguiu bater Valtteri Bottas, que se classificou em primeiro apesar de não acertar sua última tentativa no Q3. Logo atrás das duas Mercedes, Max Verstappen cravou mais uma P3, também dentro do mesmo décimo de segundo que George e Valtteri. A expectativa era de que os três brigassem pela vitória no domingo, com ninguém despontando como grande favorito. 

Hora da largada, sempre um grande momento para o futuro da corrida. E nesse domingo não foi diferente! Largando da pole, Bottas não foi capaz de manter a velocidade nos primeiros metros, abrindo caminho para que Russell colocasse por dentro e assumisse a liderança da prova! O finlandês deu mais uma vacilada na saída da curva 2, permitindo a Verstappen e Pérez emparelharem com a Mercedes #77. Mais atrás, Leclerc também viu uma oportunidade e retardou a freada na curva 3. O monegasco porém acabou travando os pneus e acertando em cheio a Racing Point #11 de Pérez, quebrando sua suspensão dianteira esquerda e abandonando por ali mesmo. 

No lado de fora da curva, Verstappen precisou espalhar para evitar uma colisão com o carro já desgovernado de Leclerc. sem querer levantar o pé, o holandês passou pela caixa de brita muito veloz, perdendo a dirigibilidade da Red Bull #33 e colidindo com o muro. Mais um abandono na primeira volta, que aliado à rodada de Kimi Räikkönen um pouco mais atrás trouxe o primeiro safety-car do dia. 

Sobre o ocorrido, a pouco a discutir. Erro claro de Leclerc, que travou o pneu e simplesmente abalroou o mexicano, que nada pode fazer para se defender. No entanto, deixo minhas ressalvas quanto à atitude de Verstappen. O holandês se mostrou muito nervoso ao sair do carro, e inclusive um tanto azedo nas entrevistas pós corrida. Na minha visão, Verstappen poderia ter aliviado o pé antes de alcançar a caixa de brita, o que diminuiria as chances da batida e do consequente DNF. É claro que a "culpa" maior recai sobre Charles, que foi o causador do acidente com Pérez. Porém a atitude de Max se aproxima mais daquelas de um piloto jovem e impaciente, que quer vencer a todo custo e por conta disso se coloca em situações desfavoráveis já nos primeiros metros de cada corrida. 

O talento de Verstappen nunca foi questionado, mas talvez seja hora de maneirar um pouco na postura. Mesmo Hamilton, heptacampeão que é, costuma fazer declarações humildes e assumir alguns de seus erros. Quem sabe, com um pouco mais de tranquilidade nas palavras, Verstappen conquiste o respeito que lhe falta de alguns pilotos, abrindo caminho para uma fase mais bem resolvida de sua carreira. 

Passado esse assunto, é hora de seguir com a corrida. Após a relargada, Russell seguia na ponta da prova! O britânico era seguido por Bottas, que chegou a ser atacado por Sainz nas primeiras voltas, mas conseguiu construir uma distância segura logo depois, com o espanhol da McLaren permanecendo na P3. Sergio Pérez, que antes aparecia na briga pelo pódio, precisou parar para trocar o bico, retornando na última posição dos que restaram na pista. 

Os olhos do mundo estavam naquele momento voltados para George Russell. Convocado por Toto Wolff para substituir Hamilton na terça-feira, George teve pouco tempo para planejar sua estreia oficial no cockpit da Merdcedes. Ainda que o britânico já tivesse testado pelo time alemão, os procedimentos no volante do W11 eram totalmente diferentes daqueles que Russell experimentara na Williams, ou ainda nas versões anteriores dos carros da Mercedes. Além do mais, toda a pressão e expectativa depositadas sobre o jovem piloto poderiam colocá-lo numa situação perigosa, influenciando diretamente no seu rendimento em pista. 

Porém, o que se via no agora famoso anel externo do Circuito Internacional de Sakhir era bem mais encorajador. Na liderança da prova, Russell ditava o ritmo da corrida, mantendo Bottas a uma distância relativamente confortável e gerindo perfeitamente o desgaste de pneus, bem como as opções de estratégia de parada. Para um substituto de última hora, George Russell vinha fazendo bem mais do que a encomenda, e elevando ainda mais seu já grande status de promessa para o futuro. 

Quem também estreava nesse fim de semana, não só em equipe nova como também na própria Fórmula 1, eram o brasileiro Pietro Fittipaldi e o britânico Jack Aitken. Correndo pelo Haas, Pietro tinha a responsabilidade de ser o primeiro tupiniquim a pilotar na Fórmula 1 desde a aposentadoria de Felipe Massa, preenchendo um vazio para os muitos torcedores do Brasil na categoria. Sem ritmo de prova, a situação de Pietro era muito diferente: o competidor não disputava uma prova oficial há muito tempo, e ainda por cima teria de lidar com as dificuldades do fraco carro da Haas num dos traçados mais desfavoráveis para o bólido norte-americano em toda a temporada. Seus objetivos ao projetar o fim de semana eram bem mais modestos do que o de Russell, e é fundamental entender isso ao se conceber uma avaliação. 

Foto: Motorsport.com


Fittipaldi foi bem, na medida do possível claro. Fez uma corrida limpa, não se envolvendo em acidentes e mantendo um ritmo de prova bastante digno. É bem verdade que o brasileiro passou boa parte do tempo na última posição, onde acabou terminando a prova. Mas é possível afirmar que o carro da Haas talvez fosse o pior do grid para esse fim de semana, e que não proporcionasse a Pietro a confiança necessária para que o piloto pudesse extrair o máximo de si nesse primeiro contato. 

Foi um bom primeiro GP, ainda que mesmo isso não signifique muito para seu futuro na escuderia. A Haas já anunciou Mick Schumacher e Nikita Mazepin (este última com um contrato plurianual) para 2021, o que leva a crer que Fittipaldi não terá espaço na Haas, pelo menos a curto prazo. Resta ao brasileiro mostrar o progresso desejado em Abu Dhabi, e torcer para que oportunidades se abram nas próximas temporadas. 

Com as primeiras paradas acontecendo, as estratégias da corrida iam se desenhando. Os carros que lideravam o pelotão intermediário decidiram por uma estratégia de duas paradas, fazendo seu primeiro pit antes mesmo da metade da corrida. Carlos Sainz seguia como o principal piloto desse pelotão, que tinha como destaque a dupla da Alpha Tauri: em dado momento, Daniil Kvyat fez funcionar o undercut, ultrapassando Daniel Ricciardo e assumindo um virtual quarto lugar na prova! 

Apesar disso, a vida na área mais disputada da F1 estava longe de resolvida. Um grupo de três pilotos vinha tentando uma estratégia alternativa, que visava uma única parada no box. Checo Pérez (que já tinha parado, mas muito cedo, na volta 2) e Esteban Ocon calçavam pneus médios, enquanto Lance Stroll fez um bom trabalho fazendo os compostos macios durarem quase a metade da prova. Com uma parada a menos por fazer em relação aos demais, esses três pilotos apareciam com vantagem quanto à posição de pista naquele momento da prova, e poderiam representar uma ameaça na luta pelas posições de cima. 

Enquanto isso, a corrida particular da Mercedes seguia tranquila. Russell liderava Bottas, com ambos num ritmo quase idêntico. Com a vantagem de estar na frente, Russell foi chamado primeiro para os boxes, trocando para os compostos duros. Ao voltar para a pista, o inglês virou consistentemente mais rápido que o companheiro finlandês, construindo uma vantagem ainda maior com apenas 5 voltas completadas. Ao ver que um possível overcut não surtiria efeito, a Mercedes chamou Bottas para um novo jogo de duros, devolvendo Valtteri oito segundos atrás de George. Com 30 voltas para o fim, era improvável que Bottas alcançasse o companheiro em pista. Nesse instante, tudo se desenhava para uma meteórica vitória de Russell, até que o destino resolveu aprontar das suas.

Jack Aitken, que vinha fazendo uma corrida bastante ok, mantendo-se próximo do companheiro Nicholas Latifi, escapou na última curva do circuito, acertando o guardrail e perdendo a asa dianteira. O bico da Williams ficou largado no meio da pista, e foi necessária a intervenção dos fiscais para a remoção da peça. O resultado foi a entrada do safety-car, que agruparia novamente o pelotão. 

Com a vantagem de mais de 25 segundos, a Mercedes decidiu pelo arriscado double stack, chamando seus dois pilotos para os boxes na mesma hora. Se a operação funcionasse sem problemas, ambos voltariam a pista em P1 e P2, e com pneus novos para abrirem ainda mais do restante do grid. Mas... 

Não, não foi isso que aconteceu. Já na primeira troca, quando George Russell parou no pit lane, a equipe alemã se atrapalhou toda, dando a entender que algo estava errado. A falha só prejudicou ainda mais Valtteri Bottas, que vinha logo atrás de Russell nos boxes. O finlandês perdeu tempo ficando estacionado atrás da Mercedes #63, e ainda viu os mecânicos fazerem uma grande confusão na hora da troca dos pneus. O resultado foi Bottas retornando a pista no quinto lugar, com um jogo de pneus duros velhos! 

A tragédia alemã não pararia por aí: um dos 4 pneus que Russell recebeu estava errado, e o britânico precisou retornar aos boxes na volta seguinte para uma nova troca! George voltou logo atrás de Bottas, porém com pneus médios novos, que lhe rendiam ao menos uma perspectiva de ataque. 

Após o encerramento da prova, Toto Wolff explicou o caos que acometeu a garagem da Mercedes. Segundo o chefe alemão, uma das equipes de mecânicos estava com a escuta do rádio defeituosa, e não recebeu a mensagem de qual pneu deveria levarpara o local de troca. Dessa forma, o mecânico responsável levou o pneu errado, o que ocasionou a demora com Russell e, como consequência, toda a indecisão na parada de Valtteri. Wolff porém reafirmou que a chamada para o double stack foi correta, e que a jogada só não funcionou pelo erro no equipamento do time. 

Como próprio Wolff disse depois, lições serão aprendidas aqui. E uma delas será a de não arriscar quando não há necessidade. Sim, a chamada para o double stack até pode ter sido correta, mas foi com certeza muito arriscada. Nesses momentos, recordamos Lewis Hamilton, que em corridas como o GP da Turquia recusou uma parada extra no fim da prova para manter posição de pista. O inglês sabe quais momentos são críticos, e em quais ocasiões não se deve arriscar. Quem sabe, se Hamilton estivesse no volante esse domingo, teria insistido para ficar na pista e evitar correr riscos desnecessários. Essa é a experiência de quem já viveu quase tudo que esse esporte propicia, e que acima de tudo sabe capitalizar ao máximo as oportunidades que aparecem. 

Foto: Motorsport.com


Com a Mercedes em maus lençóis, o top-3 da prova tomava outra forma. Agraciados por manter a posição de pista, os pilotos com apenas uma parada foram alçados as três primeiras posições, com Pérez na liderança seguido por Ocon e Stroll! O mexicano tinha agora ao menos uma chance real de vitória, depois de uma exibição memorável com a marca registrada de sua carreira até aqui. 

Chegando a andar em último, Pérez fez mágica com seus pneus médios. Encontrou um ritmo forte e consistente mas que não forçava os pneus, se livrando facilmente dos carros mais lentos do grid. Pouco a pouco, sorrateiro, Pérez foi ganhando com relação aos carros do pelotão de se aproveitou da estratégia diferenciada para ganhar posição de pista e tirou a diferença para o companheiro Stroll e para Esteban Ocon no braço, fazendo lindas ultrapassagens na pista. 

Com pneus duros e líder da prova, a maior ameaça de Pérez seria o progresso das Mercedes, em especial de George Russell. O inglês tinha pneus médios novos e um carro extremamente rápido, ou seja, material suficiente para escalar o pelotão e quem sabe ameaçar sua chance de triunfo. E assim o foi. 

Logo após a relargada, Russell abriu os trabalhos ultrapassando o companheiro Bottas por fora na chicane do setor 2. O inglês vinha voando e rapidamente deixou pra trás Stroll e depois Ocon, assumindo a P2. A partir daí, iniciou uma caçada ao mexicano da Racing Point, no momento que foi talvez o mais impressionante da corrida de Pérez. 

Mesmo com compostos duros usados, Checo não se deixou bater pelo adversário! De maneira surpreendente, Pérez voltou a encontrar rendimento em seus pneus, mantendo a diferença relativamente constante para Russell, enquanto ambos se desgarravam do resto do pelotão. Lá atrás, Bottas sofria com seus já deteriorados pneus duros, sendo ultrapassado por Sainz e ficando pelo caminho. O fim de semana das flechas negras estava nas mãos do estreante. Pois bem, estava... 

Ainda que devagar, Russell vinha tirando constantemente de Pérez, mantendo a esperança de tentar alguma manobra nas voltas finais. Foi quando a equipe detectou uma perda de pressão em uma das rodas traseiras. O furo de pneu estava consumado, e não havia outra alternativa se não mais uma parada para Russell, que via suas chances de pódio irem de vez para o ralo. 

O britânico retornou fora da zona de pontuação mas com pneus macios conseguiu refazer sua estrada até o nono lugar. Com certeza, pela maneira como a primeira metade da corrida se desenhou, o sabor do domingo para Russell é muito amargo. A vitória, que representaria uma afirmação tão marcante para a jovem promessa que busca seu espaço com o time, esteve próxima, talvez muito próxima, mas teve de ficar para outra oportunidade. 

Tirando o fato de que o triunfo escapou, a exibição de hoje só traz prós para a carreira de Russell. Naquilo que esteve ao seu alcance, George foi praticamente perfeito, entregando mais do que o esperado e se mostrando no mesmo nível de um piloto muito mais experiente, tanto na trajetória com o time como na carreira em geral! Sim, a decepção é grande, mas enxergo esse domingo como uma afirmação de respeito de Russell, que tirou muitas dúvidas sobre seu real potencial enquanto piloto Mercedes. A vaga para o GP de Abu Dhabi ainda está indefinida, e depende do que os testes de covid de Hamilton irão dizer, mas seria ótimo voltar a ver Russel no cockpit da Mercedes. Além de uma nova oportunidade, a prova em Yas Marina serviria como tira-teima, representando uma situação de corrida numa pista muito mais comum do que a desse fim de semana. Vamos esperar a decisão, ficando sempre de olho nos próximos passos desse que parece realmente ser o herdeiro do trono na equipe de Brackley. 

E com Russell fora da briga, a vida de Pérez nas últimas 15 voltas ficou bem mais sossegada. O mexicano alcançou um ritmo fenomenal, abrindo mais de 10 segundos para Ocon mesmo0 com um jogo de pneus duros usados. Incapaz de ser perseguido de perto, o mexicano estava imparável, e rumou para uma vitória histórica. Pela primeira vez em 50 anos, o país latino-americano voltava a ser vencedor na maior categoria do automobilismo, justamente com um piloto que luta por sua sobrevivência no esporte! 

Pérez perderá sua vaga para Sebastian Vettel no ano que vem, e vê na Red Bull sua última chance de competir em 2021. O time austríaco ainda não renovou com Alex Albon, que parece ter apoio político dentro da escuderia, além de ter a opção de Nico Hülkenberg, outro desempregado que fez um bom papel em 2020. Seja lá o que esteja passando pela cabeça de Helmut Marko, Dietrich Matschitz e Christian Horner, o que Pérez fez nesse domingo é uma grande amostra de seu talento, e uma prova do que o piloto pode fazer se tiver um carro e um ambiente a seu favor. 

De maneira impecável, Pérez fez os pneus renderem de uma forma fantástica, aliando rendimento forte e alta durabilidade no mesmo conjunto. Essas exibições, que são sua marca registrada a muito tempo, o colocam num patamar extremamente competitivo, e certamente superior àquilo que Alex Albon vem entregando pela Red Bull. Não há como saber o que vai definir a vaga de segundo piloto no time austríaco, mas a pressão para substituir o tailandês pelo mexicano cresce muito após os dois fins de semana no Bahrein; e com certeza ela é justificável. Veremos se o lado político ou o lado esportivo falará mais alto, mas cá entre nós, acho que todos aqui já concordamos numa coisa: Pérez merece demais essa vaga na Red Bull. 

Confira a classificação do GP de Sakhir: 


As batalhas que seguem vivas no campeonato são as seguintes: Pérez abriu certa vantagem no mundial de pilotos, fazendo 125 a 112 sobre Daniel Ricciardo, com somente os dois tendo possibilidades matemáticas de alcançar o quarto lugar. Nos construtores, a Racing Point voltou ao terceiro posto, agora com 194 pontos ganhos contra 184 da McLaren e 172 da Renault. 


Por hoje é só pessoal! Volto na semana que vem pra falar sobre a última corrida da temporada, o GP de Abu Dhabi. Abraço a todos e até lá! 



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 Olá fãs da velocidade! Estamos de volta nesse fim de semana para comentar mais uma corrida da Fórmula 1, dessa vez o GP do Bahrein. A primeira das duas provas em sequência a serem realizadas no circuito de Sakhir ficou em segundo plano, já que o domingo foi marcado pelo fortíssimo acidente de Romain Grosjean ainda na primeira volta da corrida. O piloto francês bateu forte, chocando-se diretamente contra o guardrail. O impacto foi de tamanha força que o Haas #8 de Romain se partiu ao meio, pegando fogo instantaneamente. De maneira quase milagrosa, Grosjean sobreviveu a mais de 20 segundos entre as chamas, saindo do carro pelas próprias forças e apenas com algumas queimaduras nos membros superiores e inferiores. 

A corrida sofreu uma longa paralisação, sendo retomada mais de uma hora depois. Na pista, Hamilton foi absoluto. Ao ver seu companheiro Bottas sofrer com um furo de pneu, o inglês teve como único adversário a Red Bull de Max Verstappen, que não foi capaz de chegar ao mesmo nível da Mercedes #44. Vitória de número 95 para Lewis, no GP que ainda viu um fim de prova dramático: na terceira posição durante toda a corrida, Sergio Pérez sofreu uma falha catastrófica de motor com menos de 5 voltas para o fim! A quebra alçou Alex Albon ao terceiro lugar, beneficiando também a McLaren na luta pelo terceiro lugar no mundial de construtores. Confiram a nossa análise da corrida a partir de agora.

Foto: Shutterstock


Na pole position mais uma vez, Lewis Hamilton largava como o grande favorito para mais uma vitória nesse fim de semana. O inglês mostrou-se novamente superior ao seu companheiro Valtteri Bottas na sessão de classificação, e ainda por cima tinha a vantagem de largar do lado limpo da pista, enquanto Valtteri alinhava fora do traçado ideal. Na terceira posição, era Max Verstappen que aparecia como a maior ameaça nos momentos iniciais do GP. Se valendo de uma Red Bull poderosa no setor 2, o holandês dava pinta de que arriscaria uma estratégia diferente para ter chance de vitória, ainda de olho na possibilidade de ser vice-campeão mundial. 

Hora de largada, e a melhor aderência no lado limpo do circuito fez toda a diferença. Hamilton teve uma boa partida, enquanto Bottas fez totalmente o oposto. O finlandês caiu para o sexto lugar ainda nos primeiros metros, vendo Hamilton e Verstappen desaparecerem nas primeiras posições. Checo Pérez se aproveitou da situação para assumir a terceira posição enquanto o pelotão se dirigia para a curva 3. Foi então que o grande momento da corrida tomou lugar. 

No meio do pelotão, Norris acabou encaixotado entre outros dois carros. O inevitável toque deixou Lando com a asa dianteira danificada, e gerou uma reação em cadeia com vários pilotos escapando e precisando desviar do traçado habitual. Logo atrás desse bolo vinha Romain Grosjean, que viu um espaço se abrindo no lado interno da pista e tentou mergulhar. Só que o francês julgou mal a manobra e não notou a presença de Daniil Kvyat naquela posição. Grosjean tocou com a roda traseira direita na roda dianteira esquerda do russo, e foi lançado de frente para o guardrail interno do circuito. 

Por estar em alta velocidade, a estrutura não aguentou o impacto e cedeu. O buraco aberto no guardrail acabou rasgando a Haas do francês, que se partiu ao meio exatamente na região que abriga o tanque de gasolina. O resultado foi uma grande bola de fogo, que ardia envolvendo um carro quebrado ao meio e com o piloto praticamente preso em baixo de parte do guardrail. 

Confesso que, nesse momento, não consigo decidir o que é mais desesperador: o peso de descrever a cena ou a tensão de assisti-la na TV. Fato é que, ao ver aquelas chamas enormes, todos os telespectadores ficaram apreensivos. No meu caso, a reação foi mais próxima de choque do que qualquer outra coisa. Passei alguns instantes olhando para a tela, sem esboçar nenhuma reação, até que aos poucos o desespero de uma possível fatalidade consumia meus pensamentos. 

Para o alívio de todos, a transmissão buscou imagens de Grosjean já no carro médico, consciente e conversando com os doutores. Alguns minutos depois, os replays do momento exato do acidente revelaram cenas dramáticas, com Grosjean pulando fora de um carro envolto por chamas, auxiliado por médicos e comissários de pista que chegavam com extintores de incêndio. Momentos de terror e agonia, que há tempos não eram vistos em nosso esporte. 

Segundo um dos médicos que atenderam o local, foi o uso dos extintores de incêndio que abriu um pequeno espaço entre as chamas, possibilitando a Grosjean a janela necessária para conseguir enxergar uma saída. Aliado a isso, o halo foi fundamental para o salvamento do piloto. Segundo vários colegas, Grosjean poderia ter sido degolado pelo instrumento caso não contasse com a proteção reforçada na cabeça (algo que aconteceu com o também francês François Cevert nos anos 70), ou ainda teria ainda mais obstruída sua saída do carro, o que poderia dificultar seu caminho para fora das chamas. 

Foto: Reuters

Mais do que aquilo que deu errado, acredito que os procedimentos acertados durante o acidente são os fatores que realmente devem ser exaltados. A batida foi um tanto incomum, num lugar completamente incomum, e principalmente, por falha humana. Foi Grosjean quem atravessou a pista, ignorando a presença de outro piloto no caminho. Em contrapartida, a velocidade com que o resgate chegou ao local do acidente, bem como a conduta dos fiscais, e de maneira muito contundente o papel que os dispositivos de segurança exerceram no ocorrido foram simplesmente fenomenais. A resistência do macacão, que aguentou quase meio minuto sob fogo intenso; e claro, a capacidade do Halo de manter o habitáculo do piloto livre, sem peças para atrapalhar sua saída do cockpit ou mesmo atingir sua cabeça foram os fiéis da balança que salvaram a vida de Grosjean nesse domingo. Segundo o próprio Romain, seria impossível conversar de novo sem que estes fatores estivessem presentes junto consigo. 

Para finalizar o assunto, gostaria de compartilhar a minha perspectiva sobre os momentos que sucederam o acidente deste domingo. Como qualquer fã de Fórmula 1 que se interessa por história, é natural que eu já tenha me deparado com acontecimentos trágicos pesquisando sobre a categoria. Desde as histórias mais conhecidas como a Gilles Villeneuve e Didier Pironi, até os casos mais alternativos como a morte de Roger Williamson em Zandvoort, acidentes graves estão em nosso cotidiano, e não são uma novidade para quem acompanha esse esporte tão de perto. Mas, ao vivo, é diferente. 

Mesmo com Grosjean vivo, consciente, e com imagens dele estando relativamente bem, eu simplesmente não consegui relaxar completamente. Ainda que a transmissão da Globo tenha feito um excelente papel, deixando o transcorrer da corrida bem mais leve, o choque com as imagens de um piloto saindo as pressas de um carro em chamas foi tremendo. Uma espécie de lembrete para nós, a geração mais jovem de fãs da categoria, que desconhece a sensação de estar frente a frente com algo tão abrupto como a morte. Ainda agora, ao escrever esse texto, tudo parece ainda meio fora de lugar na minha mente, mesmo que nesse momento possa finalmente estar mais relaxado e aliviado. O que aconteceu hoje foi sem dúvidas histórico, um acontecimento que poderemos contar a nosso filhos e netos. E que, graças a Deus e a segurança, não teve um final de tragédia. 

A corrida ficou paralisada por mais de uma hora devido aos reparos necessários na zona de guardrail que foi atingida. Depois desse tempo, os pilotos voltaram a alinhar no grid de largada para uma nova partida, dessa vez considerando a ordem do pelotão no momento em que a bandeira vermelha foi acionada. Hamilton seguia na ponta, mas agora com Verstappen em segundo e Pérez em terceiro. Valtteri Bottas teve relativa sorte, partindo do quarto ao invés do sexto lugar. A corrida recomeçou, e na parte da frente do pelotão o filme foi basicamente o mesmo. Hamilton teve outra partida exemplar, conservando o primeiro lugar. Verstappen acabou ficando do lado ruim da pista, e precisou mais se defender de Pérez do que atacar Hamilton. Foi apenas um pouco mais atrás na ordem que novidades apareceram. 

Desesperado por pontos, Lance Stroll acabou por se envolver em mais uma batida, comprometendo inteiramente a sua corrida. O canadense tocou com Daniil Kvyat., enroscando sua roda traseira na roda dianteira do russo. A manobra fez com que a Racing Point #18 capotasse, parando de cabeça para baixo em mais uma cena rara no GP barenita. Nesse caso porém, nenhum problema com a segurança do piloto. Stroll saiu tranquilamente do carro, mas apesar do bom estado físico não tem mais motivos para comemorar. Lance segue sem conseguir bons resultados desde o pódio no GP da Itália em Monza, acumulando abandonos por infortúnios e desempenhos um tanto questionáveis. Momento péssimo na temporada do canadense, e o início de um domingo doloroso para a equipe cor-de-rosa. 

O acidente trouxe a pista o safety car, adiando mais uma vez o início da ação no circuito de Sakhir. Algumas voltas depois, o carro de segurança finalmente recolheu e as primeiras voltas a toda velocidade foram completadas! Hamilton e Verstappen logo se distanciaram do pelotão, deixando claro que os dois estariam por mais aquele domingo em um outro patamar. O terceiro lugar permaneceu com Pérez, que tinha Alex Albon como concorrente mais próximo. Isso porque Bottas, que ocupava a quarta posição antes, acabou coletando detritos espalhados pela pista nas redondezas do local onde Romain Grosjean acertou o guardrail. Isso causou um furo de pneu, que obrigou Valtteri a um pit-stop muito prematuro, o jogando para o fim do grid. Mais uma boa dose de azar para o competidor, que se viu prejudicado nas duas últimas etapas do campeonato, e deve estar rezando para que 2020 chegue logo ao seu final. 

A medida que as primeiras voltas transcorreram, as estratégias de prova começaram a ganhar forma. E dessa vez tudo seria um pouco diferente: devido ao asfalto extremamente abrasivo e as altas temperaturas do circuito, não teríamos uma mas sim duas rodadas de pit stops. A maioria dos pilotos decidiu por dois jogos de pneus médios, antes de trocar para o composto duro, finalizando assim a corrida. Dentre as estratégias alternativas, Carlos Sainz da McLaren foi o que mais se destacou. Saindo do décimo-quinto lugar após um problema na classificação de sábado, o espanhol decidiu ir na contra-mão de todos, largando com os pneus macios. 

Se valendo de um primeiro stint muito forte e de várias ultrapassagens, Sainz conseguiu recuperar terreno, figurando dentro do top 10 ainda na primeira metade da prova. O bom desempenho do espanhol era complementado pela excelente corrida de seu companheiro, Lando Norris. Largando mais à frente e seguindo a estratégia habitual, Lando foi capaz de superar os adversários do meio do pelotão, colocando-se logo atrás de Albon já na medida em que a prova se encaminhava para seu final. 

Ambas as exibições dos pilotos laranja foram pontos de destaque nesse domingo. Justamente nos momentos decisivos do campeonato, a McLaren foi capaz de fazer as coisas acontecerem, extraindo o máximo de rendimento possível do carro e aproveitando as oportunidades oferecidas. Na luta acirrada pelo terceiro lugar no mundial de construtores, o GP do Bahrein pode ser o ponto decisivo da temporada. E nesse quesito, o time de Woking saiu na frente. 

Mantendo o foco em destaques positivos, outro que merece nossa atenção hoje é Pierre Gasly. O francês da AlphaTauri, que faz uma temporada espetacular, deu mais uma prova de sua habilidade nesse fim de semana. Andando rápido durante todos os treinos, Pierre ficou perto de até mesmo um top-5 na classificação. Durante a corrida, o francês decidiu ousar, arriscando uma estratégia incomum de apenas uma parada. Com os pneus quase no seu fim, Gasly conseguiu levar o carro em ritmo competitivo até o final, sendo ajudado pelo safety-car causado por Pérez nas voltas finais. A sexta posição não muda muito o cenário do campeonato, seja pra piloto ou para a equipe, mas serve como mais um lembrete do que Gasly é capaz de fazer, e do quão produtivo vem sendo o seu 2020. 

Se você está atento, notou a menção ao safety-car de Checo Pérez. Pois é, o lance acabou sendo o momento de maior tristeza do fim de semana. Depois de uma corrida sólida e sem nada a questionar, Pérez vinha para um excelente terceirop lugar, derrotando na pista a Red Bull de Alex Albon. Só que o motor Mercedes de Checo resolveu abrir o bico, logo quando faltavam apenas 3 voltas para o final... De maneira cinematográfica, fogo surgiu na traseira eda Racing Point #11, que se arrastou mas não foi capaz de completar a corrida. Duplo abandono para a futura Aston Martin, que vê mais longe do terceiro lugar de construtores. 

Foto: FIA


A RP até pareceu ser mesmo o melhor carro nessa briga, mas os erros e as falhas mecânicas, além da punição de 15 pontos pela confusão envolvendo a cópia da Mercedes de 2019, devem ser determinantes para o time que precisa de uma reviravolta nas duas últimas etapas. O objetivo ainda é possível, apesar de muito mais difícil, porém não podemos perder o foco: a grande fase da equipe deve começar ano que vem, com o processo de renovação que se inicia com a chegada de Vettel e a mudança de nome para Aston Martin. Se o time aprender com os erros desse ano, certamente teremos mais um competidor com fôlego para 2021. 

Por fim, é hora de citar os atores que ainda não apareceram em nosso texto. A Renault, depois de um sábado promissor, acabou tendo dificuldades no domingo. Talvez por problemas no tráfego, mas o fato é que a equipe jamais teve ritmo para incomodar a McLaren, ficando muito aquém de quem almeja o terceiro lugar nos construtores. A Red Bull conseguiu, através de Max verstappen, se tornar uma sombra persistente no caminho de Lewis Hamilton. Apesar disso, o inglês jamais deixou dúvidas sobre sua posição. Com a tradicional vantagem de 5 segundos estabelecida, Hamilton controlou a prova o tempo inteiro, faturando mais uma vitória para sua conta pessoal. 

Mesmo com o campeonato já decidido, Hamilton parece não ter perdido o foco nem sucumbido a distrações. Com mais um desempenho irretocável, Lewis rumou para uma nova vitória, e segue reescrevendo o livro dos recordes da categoria. O bolão agora é para ver até onde vai essa superioridade jamais vista nos tempos recentes. 

Confira a classificação do GP do Bahrein:



Bom galera, por hoje é só. Fugimos um pouco da dinâmica normal dos textos pois o tempo anda curto, e também porque o dia de hoje foi muito específico. As imagens do acidente ainda me espantam, mesmo depois de tantos replays, e acho que vai demorar um tempo pra entendermos o quão perto estivemos de uma tragédia na Fórmula 1. 

Volto na semana que vem com o GP de Sakhir, no mesmo circuito de hoje porém com um traçado bastante inovador. Abraço a todos e até lá. 



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 Olá fãs da velocidade! Estamos de volta nesse domingo para comentar mais uma corrida do Mundial de Fórmula 1. A prova da vez é o GP da Turquia, que retornou ao calendário depois de quase 10 anos como uma das provas substitutas dos vários cancelamentos devido à pandemia de covid-19. Desacostumada com as provas da categoria, a direção do circuito turco acabou tomando decisões pouco comuns, como a de recapear o asfalto poucas semanas antes da prova. Aliando isso à chuva, tivemos todos os ingredientes necessários para um fim de semana maluco! Com direito à Lance Stroll na pole position, a corrida trouxe muitas alternativas e proporcionou bons momentos dentro da pista, mas acabou coroando um velho conhecido das primeiras posições. Lewis Hamilton fez uma segunda metade de prova simplesmente fantástica, levando sua Mercedes de um até então discreto quinto lugar para a vitória, inclusive com 30 segundos de vantagem para o segundo colocado! Quem completou na sequência foi Sergio Pérez, conquistando seu primeiro pódio na temporada depois de fazer um bom trabalho com os pneus intermediários. Na terceira posição, Sebastian Vettel conseguiu retornar ao top-3 depois de mais de um ano, protagonizando mais um momento feliz da prova num GP que trouxe otimismo à Ferrari. Acompanhe conosco a análise do fim de semana agora: 

Encerrando a temporada europeia de 2020, o GP da Turquia depositava inicialmente todas as atenções em cima de Lewis Hamilton. O piloto inglês estava muito próximo de confirmar seu sétimo título mundial de pilotos, precisando apenas evitar que Valtteri Bottas descontasse a diferença em mais de sete pontos para sair de Istanbul com o troféu assegurado. A história porém que tinha tudo para ser o grande ponto de debate do fim de semana foi logo suplantada por nuances bem mais aleatórias! Já na sexta-feira, no primeiro treino livre, foi o asfalto do Istanbul Park que chamou as atenções. Liso, incapaz de gerar temperatura nos pneus e com baixíssimo grau de aderência, os pilotos sofreram para marcar tempos competitivos nos primeiros minutos de treino, o que deixava o panorama cheio de incertezas para a sequência do fim de semana. 

No sábado, as coisas ficariam ainda mais quentes! A chuva resolveu dar seu ar da graça, bagunçando ainda mais a ordem do pelotão. Com direito a bandeira vermelha e condições de pista mudando a todo momento, a pole ficou nas mãos de alguém pra lá de azarão! Lance Stroll colocou sua Racing Point na posição de honra, superando o até então grande favorito Max Verstappen apenas n a sessão definitiva, o Q3. O holandês largaria em segundo, logo à frente de Sergio Pérez. O mexicano confirmou o bom ritmo da equipe cor-de-rosa no traçado turco, fazendo desta a melhor classificação da história do time desde a era Force India. 

Pela primeira vez superada no treino oficial, a Mercedes encontrava-se numa situação muito incomum. Com um carro incapaz de lidar com as baixas temperaturas do circuito, as flechas negras jamais tiveram ritmo para brigar na parte da frente do pelotão, com Hamilton classificando-se no sexto lugar, e Bottas num péssimo nono posto! Aparentemente, tudo estava dando errado para o time alemão, e com condições similares esperadas para o domingo, era justo dizer que a Mercedes estava em maus lençóis. 

Foto: Getty Images

Dessa forma, chegamos ao domingo. Mais uma vez, a chuva marcou presença no traçado, e as condições para o início de prova eram tão ruins quanto às do sábado. Sem dúvida, estávamos a ponto de presenciar uma das largadas mais atípicas e importantes da temporada! 

Partindo da ponta, Lance Stroll conseguiu uma grande largada, tal qual seu companheiro de equipe Sergio Pérez. Ao contrário das Racing Points, Max Verstappen patinou bastante nos primeiros metros da corrida, bem como seu companheiro Alex Albon. Com as Red Bulls caindo na ordem do grid, o caminho ficou aberto a Racing Point, que completou a primeira volta com seus dois carros em primeiro e segundo! 

Rival direta da RP, a Renault tinha bons motivos para não dar bobeira nesse fim de semana. O time francês está diretamente envolvido na luta pela terceira posição no mundial de construtores, e com os adversários tão bem posicionados era determinante manter-se em uma boa posição em termos de pontuação. E o time até começou bem: com os dois carros largando no top-10, tanto Ricciardo como Ocon pareciam ter assumido um lugar no top-5 ao aproximarem-se da curva 1. Com os pilotos lado a lado, Ocon teve todo o cuidado ao colocar por fora para não perder o controle do carro. Porém, o francês acabou traído por seu posicionamento. Mais atrás, Hamilton colocava por dentro de Ricciardo, pronto para ganhar a posição. O australiano fez uma leve correção, que espalhou um pouco a tangência da curva. Sem espaço para três carros, foi Ocon que levou a pior e acabou tocando na roda traseira esquerda, forçando uma rodada que o jogou para o fim do grid. 

Mas essa não seria a única rodada, seja na corrida., na volta ou até mesmo na própria curva! Imediatamente atrás de Esteban vinha Valtteri Bottas, tentando abrir caminho desde o nono lugar com sua Mercedes #77. Lutando contra todas as apostas, Valtteri precisava derrotar seu companheiro de equipe para conservar suas mínimas chances de título. Porém a missão ficaria praticamente impossível já na curva 1. Isso porque Bottas perdeu o controle na primeira tangência da prova, rodando sozinho e sendo relegado ao fundo do grid! Numa tentativa desesperada de recuperar posições, Valtteri atacou Ocon na sequência da primeira volta, provocando mais uma rodada para ambos e os atrasando ainda mais em relação ao top-10. E esse seria só o início de um domingo de cão para Valtteri, que perderia não só o título, mas também uma parte significativa de confiança para as últimas etapas do ano. 

Foto: Motorsport.com

Primeiras voltas completas e um sentimento de extrema surpresa tomava todos que estavam assistindo a prova: de maneira absurda, a Racing Point disparou na liderança da corrida! Stroll abriu 15 (quinze) segundos para o terceiro colocado em questão de sete voltas, enquanto Pérez seguia perto dos 5 segundos atrás do companheiro. Àquela altura, o ocupante da P3 era nada mais nada menos que Sebastian Vettel! O alemão da fez uma excelente largada, ganhando muitas posições no meio do bolo. Conseguindo um bom ritmo na primeira volta, Vettel ganhou posições na pista e encabeçou esse segundo pelotão após Lewis Hamilton, então terceiro colocado, escapar da pista e ser novamente relegado à P6. 

Com Max Verstappen em seu encalço, Seb vinha fazendo um bom trabalho apesar de ser notoriamente mais lento que a Red Bull. Com uma tocada suave e precisa, Vettel passou voltas a fio suportando a pressão do holandês, o que acabou ajudando os demais pilotos que vinham atrás a diminuírem a diferença para a dupla. Lewis Hamilton e Alex Albon foram os que mais se aproximaram da batalha, com ambos lutando bravamente para manter seus respectivos carros na pista e encontrarem o máximo possível de aderência. Foram cenas marcantes, circunstâncias incomuns, e mais um momento cheio de ação; um dos vários que tivemos em 2020. 

Chegamos a marca de 20 voltas completas, e só então a pista começou a secar. Aos poucos, os pneus de chuva extrema começaram a perder rendimento, enquanto os compostos intermediários foram tornando-se mais rápidos. Charles Leclerc foi o primeiro com um carro de ponta a apostar nos pneus de cor verde, e a medida que o monegasco foi colocando tempos competitivos no cronômetro os demais pilotos o seguiram. Ciente de que o carro não responderia tão bem aos pneus intermediários, a Racing Point procurou retardar a parada o máximo possível, trazendo primeiro Stroll e logo na sequência Pérez. A equipe só não ficou mais tempo na pista do que a Red Bull. Os austríacos acataram o desejo de Verstappen, que queria permanecer com os pneus azuis. Só após algumas voltas Max veio aos boxes, e demonstrou que sua vontade surtiu efeito: o carro #33 voltou logo à frente de Vettel, ocupando a terceira posição na ordem atual. Pérez, que sofrera com uma parada lenta, estava menos de dois segundos à frente, com Lance Stroll ainda na liderança (e com uma vantagem interessante, de pelo menos seis segundos). 

Em condições desafiadoras, o nome de Verstappen sempre vem à tona como um dos protagonistas. E com o cenmário de prova que se desenhava, era impossível não pensar no holandês como candidato a vitória. Colado em Checo Pérez, Verstappen tinha apenas a dupla da Racing Point a sua frente, esta que ao que tudo indicava já tinha alcançado o pico do seu rendimento, e com a pista secando cada vez mais tinha a possibilidade de andar pra trás. Só que 2020 não é um ano normal. Com praticamente a faca e o queijo na mão, em condições que lhe são adoráveis, Verstappen não conseguiu ser perfeito como outrora, e acabou jogando fora suas chances de vitória. 

Ultrapassar era difícil, e isso ficava notório pela briga que transcorria atrás do holandês. Vettel, atual quarto colocado, era visivelmente mais lento que Hamilton, o quinto. Lewis porém não conseguia sequer colocar de lado para tentar a ultrapassagem, e aos poucos foi perdendo contato com Pérez e Max. Sabendo dessa situação, Verstappen tentava vários traçados, apontava seu carro na saída de cada curva, procurando um espaço para conseguir a tração necessária e tentar a manobra. Só que numa dessas tentativas o holandês chegou perto demais do carro de checo, perdendo sustentação aerodinâmica. A saída de traseira fez com que Max precisasse de uma leve correção no volante, o que jogou o carro para fora da pista. Em situação de chuva, a área de escape vira quase uma lagoa, e a rodada foi inevitável. Max perdeu várias posições, estragou os pneus e precisou de uma parada extra nos boxes, saindo assim completamente da luta por um pódio. 

Erro de pilotagem, daqueles que não estamos acostumados a ver de alguém tão qualificado no volante como é o holandês. Decepcionante, mas contornável. O foco agora precisa ser a maneira como o conjunto piloto-equipe lidará com a situação. Hamilton e Mercedes nos deram várias amostras de como é importante a busca pelo aperfeiçoamento contínuo, e que os resultados chegam quando o trabalho é bem feito. Todos podem errar, até mesmo os melhores, mas só a perseverança e o foco são capazes de transformar os melhores em grandes campeões. 

Com todos os pilotos de pneus intermediários, a corrida começava a entrar numa nova fase. Ainda havia pouco mais da metade do GP em disputa, e nenhuma garantia de que os compostos intermediários aguentariam até o final. Tampouco a pista estava seca o suficiente para pneus slicks, e não havia uma estratégia clara que favorecesse a todos. Quem iria ser o primeiro a se arriscar? 

A resposta foi Charles Leclerc. O monegasco da Ferrari decidiu abrir mão da posição de pista para colocar um novo jogo de pneus intermediários. O piloto #16 voltou para a pista virando cerca de 2 a 3 segundos mais rápido que os demais, o que abriu precedente para que uma reação em cadeia se desenvolvesse, com muitos outros carros seguindo os passos da Ferrari. 

Porém, os resultados não eram tão simples quanto pareciam. O pneu intermediário tem um ciclo de funcionamento diferente dos demais, tendendo a sofrer uma queda de rendimento poucas voltas depois do início do stint. Aliando isso ao fato de que alguns carros simplesmente não casam bem com os compostos verdes, o resultado foi uma verdadeira salada quanto ao desempenho dos pilotos após esse segundo pit stop. Enquanto alguns carros, como o caso do próprio Leclerc, ganharam bastante terreno, outros pilotos caíram pelas tabelas, como foi a dolorosa situação de Lance Stroll. 

O jovem canadense, que até então liderara boa parte das voltas da corrida, vinha sofrendo com seu primeiro jogo de intermediários. A vantagem inicial que era de 7 segundos já tinha caído para menos de 2, e o companheiro Pérez já aparecia na alça de mira pela liderança, bem como Alex Albon. Vendo o rendimento cair de maneira constante e a vantagem ser cada vez menor, Stroll foi para os boxes na esperança que um novo jogo de intermediários lhe devolvesse um ritmo competitivo. Mas o tiro saiu pela culatra. Com menos de uma volta, Stroll já sentia e reportava via rádio dificuldades com o novo jogo de pneus, e o ritmo daquelas voltas iniciais jamais retornou. Completamente fora do ritmo de prova, Stroll foi perdendo posições e caindo pela classificação, sendo incapaz de terminar até mesmo no top-8! 

Foto: Motorsport.com

O que talvez explique tudo isso seja a falta de experiência do conjunto equipe-piloto. Stroll possivelmente não soube gerir bem o desgaste durante seu stint, deixando a equipe numa situação complicada quanto à tomada de decisão. Ainda que soubesse das dificuldades do carro com pneus verdes, deixar Stroll com pneus desgastados na pista poderia causar um furo, o que levaria a consequência ainda mais graves como um acidente ou abandono. Essa falta de sinergia pode ser a principal responsável pela grande decepção do dia, já que por boa parte da prova uma vitória foi perfeitamente vislumbrável para Lance. 

Falando em sonhos perdidos, o que dizer de Alex Albon? O tailandês foi mais um que teve seus momentos durante a boa fase do pneu intermediário. Ao ultrapassar Hamilton depois de um erro, e logo na sequência fazer a manobra sobre Vettel (coisa que Lewis tentou por volta e não conseguiu), Alex achava-se no terceiro lugar, com chances claras de progredir na corrida. Porém, a manobra sobre o segundo colocado Pérez não veio, e ao ficar preso no tráfego a equipe RBR decidiu por uma segunda parada. Novamente, o pneu intermediário novo não funcionou, e o carro #23 não conseguiu recuperar o terreno perdido durante o pit-stop. Para piorar as coisas, Albon acabou rodando sozinho, perdendo posição inclusive para seu companheiro de equipe e terminando num modesto sétimo lugar. Desapontante para alguém que precisa mais do que nunca de resultados. 

Na contramão do que muitos faziam, dois protagonistas decidiram por manter a posição de pista. Sergio Pérez e Lewis Hamilton não foram aos boxes, assumindo primeira e segunda posições respectivamente. Com uma pequena vantagem, o mexicano foi líder inicialmente, porém em questão de poucos giros Hamilton alcançou Checo e efetuou uma precisa manobra, assumindo a posição de honra. 

De maneira até um tanto surpreendente, o antes pouco combativo Hamilton conseguia agora abrir uma vantagem cada vez maior sobre Pérez, incapaz de chegar sequer perto do ritmo do inglês. Beneficiado pela queda brusca de performance em Stroll e de mais uma parada de Verstappen, Hamilton logo se viu com mais de 25 segundos de vantagem para Charles Leclerc, então terceiro colocado e único piloto com chances reais de ameaçar o seu triunfo. Dessa forma, abria-se caminho para mais um triunfo do carro #44. 

Falando assim, parece tudo tão fácil, não é? Tão fácil que qualquer um conseguiria fazer. Pois é, mas esse argumento cai por terra facilmente, basta olhar para o fim de semana terrível que Valtteri Bottas teve. Deixando de lado os dois entreveros na volta 1, Valtteri teve pelo menos mais duas rodadas no decorrer da corrida, ambas no mesmo ponto da pista e da mesma forma! Fora da zona de pontuação a corrida inteira, Bottas ainda passou pelo momento mais desagradável possível: o de levar uma volta de seu companheiro de equipe. 

O desempenho péssimo de Bottas serve como um bom comparativo de que sim, o trabalho que Hamilton faz é mesmo diferenciado. Nesse final de semana, a vitória veio através da paciência, um trabalho conjunto entre equipe (que soube escolher a estratégia, deixando Lewis na pista por mais tempo) e piloto (que conservou seus pneus na medida do possível, e principalmente, encontrou um ritmo impressionantemente rápido e sem erros na fase crucial da etapa). Mais uma amostra do nível que essa parceria atingiu, algo que poucas vezes aconteceu na história do esporte. E que sabe-se lá aonde vai parar. 

Foto: Motorsport.com

O texto foi longo até aqui, mas não, ainda não acabou! Enquanto Hamilton garantia a vitória lá na frente, Pérez fazia um esforço danado para chegar até o final com seus pneus intermediários, sendo perseguido cada vez mais de perto por Leclerc. O monegasco da Ferrari vinha num ritmo fortíssimo, tendo ultrapassado seu companheiro de equipe até com facilidade. Porém nas últimas voltas do GP, Leclerc cometeu um pequeno erro e perdeu o momento, retardando a aproximação ante Checo e permitindo que Vettel chegasse mais um pouco. 

Última volta e os três estavam separados por apenas um segundo! A briga tripla por dois lugares no pódio viu Pérez errar um ponto de freada, permitindo a Charles efetuar a ultrapassagem. Na reta seguinte, Pérez conseguiu pegar o vácuo, colocando de lado com Leclerc e forçando o erro do piloto #16, que saiu da pista. A travada possibilitou a Vettel colocar por dentro e ultrapassar também Leclerc, assumindo o terceiro lugar. O alemão até tentou tracionar mais cedo do que Pérez, mas as condições na reta principal não favoreceram a manobra. A Racing Point #11 ficou mesmo com o segundo lugar, enquanto a Ferrari #5 cruzou em terceiro. 

Fantástico, simplesmente fenomenal. A quantidade de momentos especiais que 2020 nos reserva na Fórmula 1 tem sido extraordinária. Não bastassem todos os acontecimentos da corrida, essa briga pelo segundo lugar tirou o fôlego de muita gente, e trouxe um prêmio de consolação para Vettel e Ferrari. Depois de uma temporada regada à decepções e resultados para se esquecer, o alemão volta a frequentar o pódio, além de ver os dois carros vermelhos pontuarem bem e recolocarem a equipe com chances de brigar por algo no mundial de construtores. Sem dúvidas, um domingo de sorrisos em Maranello. 

Para encerrara ocasião, a vitória garantiu a Hamilton mais um título mundial de pilotos, o sétimo de sua carreira. Lewis se iguala agora a Michael Schumacher como o recordista da Fórmula 1 nesse quesito, assumindo um papel cada vez maior nos livros de recordes da categoria. O resultado (a confirmação do título) já era esperado, e cá entre nós, não foi nenhuma surpresa. O que mais pesa aqui é a simbologia, o que essa marca simboliza para a história do esporte. Um piloto negro, capaz de desafiar velhas imposições de seu país e da sociedade onde está inserido, assume o papel de protagonista máximo reescrevendo a história de um esporte tradicionalmente elitista e, ainda por cima, tentando deixar um legado maior que seus números e feitos em pista. A história de Hamilton é das mais fantásticas que se poderia imaginar, e com certeza será lembrada no futuro como um dos marcos desse esporte. Um nível de qualidade a ser perseguido, alcançado. E quem sabe, um marco divisório quanto à luta por uma sociedade mais igualitária. 

Confira a classificação do GP da Turquia: 


Hamilton chegou aos 307 pontos contra 197 de Bottas, um domínio totalmente irrepreensível! Verstappen segue em terceiro, agora com 170 pontos ganhos, enquanto a disputa pelo quarto lugar entre Pérez (100), Leclerc (97) e Ricciardo (96) segue a todo vapor.

Nos construtores, temos Mercedes com 504, seguida pela Red Bull com 240. Só depois chegamos à grande disputa que resta, entre Racing Point (154), McLaren (149), Renault (136) e Ferrari (130). 

Por hoje é só pessoal! Uma semaninha pra descansar e voltaremos no finalzinho de novembro, com rodada tripla para encerrar a temporada. Abraço a todos e até lá! 



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